União

Quando diversas pessoas estão reunidas em torno de algo comum, numa mesma sintonia compartilhando ideais podemos dizer que realizou-se a união.

Unir-se em torno de uma causa, ou de um bem comum é uma nobre atitude, e constitui um ato solidário onde saímos de nossa zona egoística para o terreno comum onde podemos indentificar-nos com os outros visto que o que uniu-nos foi semelhante.

Descobrir afinidades é como reconhecer um cúmplice para compartilhar interesses em torno de uma preferência específica.

Seres humano possuem esta necessidade de agregarem-se em torno de interesses, sempre foi assim e sempre será, da época das cavernas onde dependíamos do maior número para enfrentarmos os perigos, pessando pelo exercício agregador maior que perdura até hoje: as religiões.

Encontrar um igual é descobrir-se e afirmar-se importante e ter consciência que suas preferências são interessanes, torna tudo mais suportável. A vida deixa de ser solitária para ser coletiva.

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Renascido.

Em meu íntimo algo havia quebrado em diversos pedacinhos e espalhados pela estrada das minhas lamúrias.

Fechei-me, esqueci de um tempo em que sentia-me como uma força da natureza capaz de vencer tudo e todos, inabalável. Então vieram os maus dias e com eles a suplantação de minha personalidade, amargura, ríspidez e apatia. Um desânimo tão crônico que parecia instalado no mais profundo do meu ser como se comigo houvesse nascido e fui infeliz; infelicidade por cima de infelicidade com diversas camadas de depreciação regadas a penosas lágrimas, e chorei muitos baldes os erros do passado, as oportunidades abandonadas, mas tudo que levou a este momento.

-Renascido, primeiro você não tinha rosto, e nem era preciso ter, urgia o seu toque em minha alma, o tratamento galante, sua atenção total a tudo que vem de mim, inclusive minha verborrágia virtual, parece que tudo que digo é súmula importante ou receita de um maná antigo.

-Renascido, suas promessas fazem-me acreditar que um dia, só um dia tudo pode ser diferente e os Andes mais próximos, quem sabe daqui um ano minha cansada cabeça esteja repousada em seu ombro tendo o Rio Madeira e um poente à nossa frente como prenúnico de uma nova vida?

-Renascido, gostaria de ter feito uma poesia, mas o maior lirismo está na gratidão que tenho e em tudo de bom que você desperta em meu desgastado ser, você nasceu duas vezes seguidas e agora fez-me também abrir os olhos e ver que ao seu lado também posso ser mais, poir isto que os anjos preparem nosso caminho para estarmos juntos, e obrigado por fazer-me renascer tembém…

Pretensos drops

Distribua sempre rosas por onde passar, elas exalam divino perfume porém possuem espinhos dolorosos que se apertados podem ferir. Assim é a amizade verdadeira, como uma rosa, cheia de alegrias, de sorrisos e festas, contudo com momentos tristes e outros tensos. Alto e baixo, tudo dentro de uma mesma relação, não existe amigo de uma face só! Nem cara, nem coroa, mas uma junção de ambos, com todas as nuances possíveis.

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Paciência é uma arte, não um estado, e como tal necessita de talento primordial seguido de muita experimentação e estudo, ponderação profunda. Estou aprendendo a ser paciente, a não blasfemar, nem tampouco guardar irritação ou rancor, logo ali na curva da estrada tudo se acaba, pra quê perder tempo com mesquinharias? Vejo agora o valor real de um prato de feijão com pimenta, em conserva ou in natura.

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Ontem foi um dia triste, entretanto sem ser ruim, apenas um sentimento vazio após uma constatação. É muito desolador quando finalmente vemos quem são na verdade algumas pessoas que estão presentes em nossa vida não para somar, mas para dividir, subtrair, e fazer desaparecer o que você tem de mais importante que é o seu espírito! O tempo passa e nós acostumamos com determinados relacionamentos, entretanto vou ater-me apenas ao campo da amizade, amigos vão e vem, mas alguns marcam, outros atravessam conosco a dura estrada da vida, e alguns que julgávamos sólidos companheiros de uma hora para outra se mostram como realmente são: cruéis, falsos e por aí vai ladeira abaixo…

Sempre fui muito amigo dos meus amigos, isto ninguém pode contestar, procuro participar dos momentos cruciais onde sei que serei necessário, e nem sempre estes momentos são de alegria, mas de dor, e é isto que solidifica e consolida o amor, já dizia o provérbio: “Se você quer conhecer alguém, coma um saco de sal com ele.” O blog do Helvécio fez uma análise bem interessante sobre está frase, quem quiser saber mais clique aqui

Sei que peco muito com os companheiros de vida pois tenho a boca muito grande, e falo demais, aponto o que esta errado (o que quase ninguém suporta), faço isto sem julgamentos e sim para evolução fraternal. Não entrarei em detalhes, pois a decepção está muito recente, e eu meio que já sabia que isto cedo ou tarde aconteceria.

O rancor, a mágoa e a arrogância são caminhos que nos afastam daqueles que amamos por simples vaidade. Ontem foi minha sexta-feira 13 (não hoje), ontem foi o dia de perceber que por mais que se faça, para algumas pessoas nunca é o bastante e não reconhecerão em seu esforço o amor que está embutido ali. Para quem está mergulhado na ilusão não importam os atos e sim as palavras, e de palavras o inferno está enchendo.

Qual é a sua postura diante da morte?

Nada mais certo em nossa trajetória, e final certo para todas as criaturas vivas do que a morte. Aliás tudo tem um final, e isto também pode ser contabilizado, tudo têm que acabar em algum momento, e sabendo disto vem outra pergunta que quase não é feita, mesmo sabendo de nosso destino fatídico: o que fazer com o tempo que nos resta?

Sim, pergunta mais que essencial deveria ser feita todos os dias diante de escolhas tão óbvias e muitas vezes danosas que fazemos, então porque não escolher viver bem? Ou fazer tudo o que der na telha já que vamos morrer mesmo? Porém e os outros? Não fazemos tudo o que queremos principalmente porque haverão consequências e outros não deixarão que façamos tudo, acima da sociedade há as leis para o bem comum do planeta e das civilizações.

Podemos viver bem, e viver a boa vida. Uma boa vida não é exclusividade nossa, mas estendida aos próximos e como encaramos o mundo que nos cerca e a resposta que damos ao nosso cotidiano, com frustrações e alegrias. Será que só reclamamos quando tudo dá errado ou não está a contento, ou agradecemos ou não quando tudo está bem? Qual postura tomamos frente aos acontecimento? Isto define o tipo de vida que estamos levando. Viver a própria vida é algo difícil demais, é mais fácil cuidar da vida dos outros, assim vemos muitas pessoas dando receitas milagrosas para mudar a vida dos outros, palpites para melhorar a situação, ou simplesmente brincando de juiz e júri da vida alheia julgando e condenando a rodo.

Assumir as rédeas deste cavalo louco que é o destino, e aceitar que as vezes acertamos, e outras vezes erramos feio também é maturidade, e nada tem a haver com idade, mas sim com aprendizado e postura. Quem muito viu nem sempre é quem muito viveu. Todos sabemos que não somos eterno, o problema é que na maioria do tempo esquecemos disto, e daí deixamos de abraçar nossos amigos, dar um sorriso quando é preciso simplesmente para não baixar a guarda, ou beijar a mãe quando ela nos faz o prato preferido. São pequenas coisas, e as pequenas coisas pintam o retrato maior que é nossa vida, na verdade um mosaico, onde tudo se junta e forma o todo. E a beleza está aí, não em ficar perseguindo a felicidade como se fosse algo inatingível ou que ainda está por chegar.

Como posicionar-se perante a vida sabendo da iminente chegada da morte? Esta é a pergunta que vale todos os tesouros de nosso mundo. Tornar-se um hedonista assumindo e sorvendo todos os prazeres do mundo sem medir as consequências ou mergulhar no mais profundo niilismo existencial não tendo otimismo e esperando pelo fim inevitável? A resposta de consenso seria o caminho do meio, da temperança, nem de mais, nem de menos, tudo é permitido dentro dos valores morais coletivo.

Se estamos aqui hoje significa que podemos compartilhar, sim, compartilhar nossas dores, sofrimentos, alegrias, vitórias, olhar para o lado e ver que existem pessoas mais realizadas, entretanto há quem está pior do que nós e precisam de nossa ajuda, nossa mão amiga ou  simplesmente nossos ouvidos sinceros. Aliás ajudar é sempre um boa maneira de sair do sofrimento, ver e analisar a vida alheia com misericórdia é a forma mais amorosa de perdoar-nos a nós mesmos por existir, tantas dores nascem da nossa incapacidade de conceder o auto-perdão, daí tornamo-nos os nossos algozes por toda a existência desperdiçando energia e vida, não é preciso desejar a morte ela virá, mas é muito difícil chegar a essa constatação quando estamos mergulhados na depressão e nada mais possui colorido, apenas tons de cinzas.

A morte sempre teve poder extraordinário, na mitologia é filha da Nix (a noite primordial) e irmão de Hipnos (o sono), há um ramo na ciência que estuda sua influência e chama-se tanatologia, que vem de seu nome grego Tanatos. Todos estamos fadados a passar por ela, e conforme muitas religiões simboliza uma porta, uma passagem para outro estágio de existência, no cristianismo Jesus Cristo passou pela morte e ressuscitou, assim como diversas divindades messiânicas antes dele. Na antiguidade os próprios deuses podiam morrer, exceto os primordiais, e era temida por todos.

Somos mortais e isto torna nossa existência mais linda, e o peso de nossos atos são maiores, o tempo não retrocede, e devemos sempre pesar bem o que  fazemos, cada dia é como um segundo nascimento, então vamos aproveitar o dia de hoje para refletir, e procurar viver no sentido mais amplo da palavra com as rédeas nas mãos firmes.

O sono

O sono é nosso melhor amigo em todas as ocasiões da nossa vida. Passar pelo estado de sono profundo revigora e torna-nos aptos a tentar de novo, levantar e correr atrás do prejuízo de um louco cotidiano moderno.

Cada dia é uma nova luta, acordar é como renascer, retornar de uma viagem onírica para a realidade devoradora.

Dormir é como adentrar em outra dimensão cheia de mistérios, não se sabe com certeza o que há, ou que acontece neste estado. Para onde vai nossa consciência? Existe o fio dourado que liga nossa alma ao corpo enquanto dormimos? O quê são os sonhos? Do que são feitos? Mergulhamos em nosso inconsciente durante o este período ou saímos para o astral e temos experiências metafísicas?

São perguntas sem respostas por enquanto. A ciência médica estuda o sono há algum tempo, tentando desvendar os mistérios de nosso corpo e mente durante o repouso noturno. As artes e o cinema em especial tem aproveitado o tema rendendo produções de sucessoassim como a literatura também discorre sobre o assunto em diversos títulos.

Na cultura clássica, fonte de sabedoria e referência para o ocidente, o sono era chamado Hipnos, e tinha como irmão vejam só, nada mais nada menos que o tão temido, mas respeitado Tantatos (a morte), também era de sua família o famoso Morfeu (o sonho, e não Lawrece Fishburne de Matrix). Este trio numa analise filosófica tem relações profundas entre si, entre morte, sono e sonho há mais semelhança do que podemos imaginar, ou mesmo sonhar!

A importância de Hipnos é tão grande que ele é citado na Teogônia, de Hesíodo, como sendo filho da mais primordial das criaturas Nix (a noite que deu origem a uma infinidade de seres obscuros e importantes da mitologia), a Teogônia é a obra mais importante da mitologia grega onde encontram-se as origens de muitos mitos clássicos, bem como a gênese de muitos deuses e a origem do universo, ao lado das obras de Homero nós mostra o papel crucial que as divindades helenas desempenhavam na vida desta civilização. Assim Hipnos nasceu antes de deuses importantes como os titãs e titânides que foram a primeira geração e pai dos deuses que vieram a seguir como os do panteão, deste modo todos os seres estão sob sua influência, tudo que é vivo precisa dormir.

Algumas culturas referem-se ao sono como um estado de morte menor, um abandono da consciência que entra em outro estágio, em outra faixa por assim dizer. Uma das maiores religiões do mundo, o cristianismo, relaciona a morte como um sono de onde todos hão de acordar no dia do juízo para serem julgados.

A força do sono é muito maior e equivalente ao da morte, homem nenhum pode ser capaz de resistir ao seu toque, a sua presença suave, acolhedora e cheirosa. O sono não se impõe, o sono domina aos poucos, envolve com seu manto, é um manto de seda puríssima, convida e nós lança em uma cama macia por entre nuvens e lençóis do mais macio linho egípcio, e o mais arrasador é que tudo acontece sem percebermos; num minuto estamos alertas, no outro babando e roncando no seio de Hipnos.

A privação de sono pode levar-nos a estados de deterioração mental e física. Noites mal dormidas pode significar aumento de peso, estresse e perturbações do sistema nervoso. Enfim quando ele chega é melhor não resistir, pois o sono é irmão da morte.

Lendo agora!

A coleção da editora Avenida, com preços populares, é uma iniciativa fantástica, é possível comprar um exemplar de vários clássicos por menos de R$ 5 cada. Resistir a este romance é improvável, hora de revisitar os clássicos da nossa literatura, vamos começar? Procurem pela coleção Grandes Obras da Língua Portuguesa, quem disse que para ser bom tem que ser caro?

Cronos contra si

Milênios passaram e a história de Cronos  continua atual, aliás a sabedoria clássica continuamente pode ser revisitada para comparações com o mundo contemporâneo embasando reflexões. Cronos foi o senhor mítico de tudo o que existe, a ele subordinavam-se um séquito de deuses, gigantes, semi-deuses e homens, temído e adorado, implacável seria seu adjetivo mais frequente. Sim, implacável pois nada poderia resistir ao seu poder e vontade.

Este pai dos deuses era a personificação  do tempo e da primeira noção de democracia que iguala a todos e tudo, tanto os seres vivos quanto os mortos submetiam-se a passagem corrosiva dos dias, anos e séculos, tudo sucumbia,  morria ou deixavam de existir; entretanto o tempo também renova traz vida, novas civilizações nascem sob os escombros de antigas e a vida segue seu curso sempre avante. Era um deus destruidor e transformador, ao passo que também era progressista, sempre em constante evolução, a seta do tempo não retrocede. E a essência da metamorfose que sempre está presente em toda literatura e filosofia grega em Cronos se assentava como molde.

Contudo, mesmo com toda a sua sabedoria o medo a ele também antingia e por apego ao seu presente e ao seu reinado próspero, e egoísta como todos os que possuem aspectos humanos, Cronos corrompeu-se e uma profecia foi sua ruína. A tal profecia dizia que seria destronado por um filho seu, assim passou a devorar cada recém-nascido que sua rainha Réia paria, porém num golpe de astúcia a senhora cansada de ver a má sorte de seus rebentos deu uma pedra embrulhada para seu esposo engolir, salvando assim Jove. A própria Réia pode ser entendida como a face misericórdiosa do tempo, aquela que traz sabedoria com o passar dos invernos, do sofrimento de ver tudo dar errado, os dias deixam os que teimam em viver mais sábios e ensinam a errar menos.

O reinado de Cronos foi encarado como uma era de sentidos, de forças primordiais, incontroláveis pois era o momento dos grandes titãs e titânides reinarem, eram os pais e organizadores do que existia, desses seres nascidos dos primórdios do caos o Tempo tentava dar inteligência ao que era instinto puro fundamentando a realidade, os titãs eram artitas com diamantes puros.

A mitologia clássica nos mostrava a noção de continuidade da criação e aprimoramento pois antes do panteão do Olimpo existiram 12 deuses que originaram os elementos que mais tarde seriam governados pelos deuses olímpicos.

Saturno era o equivalente romano de Cronos, em sincretismo, porém este tinha uma personalidade mais amena e seu reinado considerado como era de ouro, se analisarmos profundament podemos notar uma junção da função amenizadora de Cibele, correspondende da Réia grega, mas aqui com um papel menor em comparação a grande matriarca venerada como senhora das montanhas. Outro detalhe interessante era que Cronos sendo o mais novo dentre seus irmãos passava a impressão de ser favorecido em detrimento dos outros mais antigos e incontroláveis, ele representava a intelectualidade também, pois atuava na organização da criação, trazia a evolução e com ela o progresso, sendo que não há nada que não melhore, nem que seja um pouco, com a passagem do tempo. Por ser o mais novo dos doze também era o sopro de inovação que faltava num tempo onde os resquícios do caos ainda ecoavam na realidade.

Jove, ou Zeus, ou Júpiter para os romanos cresceu escondido e protegido pela mãe Réia a contraparte do senhor do tempo e no momento certo assumiu o trono como pai dos deuses que era de seu pai, mas nada foi tão simples, guerras foram travadas e o outrora todo poderoso jaz nas profundezas do Tártaro, de onde ainda influência a realidade com seu poder. Zeus tornou-se senhor do tempo e pai das Horas, as deusas que presidiam o dia, destronando e superando o pai. Tema recorrente em obras pelo mundo todo, e estudo da psicologia e outras áreas, essa necessidade dos filhos em superar os pais, e isto os gregos já mostravam em suas obras muitos séculos antes.

No final das contas o poderoso imperador titã foi vítima de seu próprio poder e representatividade e isto é muito comum na mitologia grega. São deuses com sentimentos e personalidades humanas, ou seriam os seres humanos que herdaram dos deuses essa característica? Antes da humanidade eles já existiam, e essa prerrogativa abre um debate filosófico amplo, seres poderosos mas com fraquezas como egoísmo, inveja, desejos, é muito fantástico pensar em algo assim. Apesar de hoje ficarem relegados a literatura, os deuses já foram importantes na vida de muitas civilizações e no caso da religião grega seu culto se propagou para além dos limites de seu território e até assimilados por outras culturas como Roma, mesmo com o culto morto ainda fascinam muitos milênios depois de seu auge e resistiram ao advento do cristianismo e outras religiões contemporâneas na forma de literatura, cinema e outras mídias.

Talvez Cronos ainda fosse o senhor do mundo, mas sua ambição ou dependência pela supremacia levaram-no a precipitação, intransigência e erro. A história já mostrou que lutar contra profecias de nada adianta, e resistir é sinônimo de contribuição para sua concretização, no fim o maior inimigo do Tempo foi o próprio tempo.

Viação Brasil

Meio-dia, sempre meio-dia! Sono, barulho, engrenagens, ruídos, fumaça o monóxido de (ainda que fosse dióxido) carbono, confusão, buzinas, é trânsito louco e visceral como o próprio movimento dos intestinos mais velozes e como o que sai das entranhas… MERDA! Foi um grito? Alguém xingou enfurecido lá de fora, justamente quando a constipação asfáltica havia passado e tudo ia a contento. O vai e vem de subúrbio medíocre continuava sem propósito e sem sentido; mas alguém xingara, e os palavrões multiplicaram-se incluindo filho disso e daquilo e a mãe alheia sendo jogada adjetivamente ladeira abaixo, ah ouviu-se um filho de uma rampeira, seja lá o que isto for. E a pior de todas as ofensas que pode ser feita a um homem: CORNO!!!

Quem era? Quem se atrevera a desfilar o rosário  inteiro de impropérios no meio da rua? Hum, sono! Para entender só mesmo ligando o alerta máximo mandando o sono para longe, o tempo só foi suficiente para registrar o nonsense da situação: o condutor ônibus largara o volante e jazia a correr com sangue nos olhos à caça  de um desbocado ciclista que de bobo não tinha nada e queria viver, meteu a valentia entre as pernas e então sebo nas canelas que afiada ou não com objetos pontiagudos não se brinca quanto mais quando é empunhada por um ensandecido condutor de coletivo, entraria com tudo de certo!

Por uns breves instanes o mundo parou para ver o jogo de pega não pega, entre o raivoso motorista e o outrora destemido ciclista descobridor de cornos, o enorme veículo parado atravessado na pista intenrompendo o fluxo, e ao lado dele a bike cargueira abandonada na calçada.

Custei a entender o ocorrido, contudo depois de processado os fatos e as consequências de novo volta o sono! Ah o ciclista ou como se diz no popular bicicleteiro (juro que não é neologismo, esta palavra existe e é bem comum no norte do país), não faço a mínima ideia de seu atual estado de integridade física, acho que nada aconteceu, visto que  nosso condutor paladino voltou com o peito estufado feito pombo e a satisfação de um dualista que atirou primeiro e lavou a alma.

Seguimos viagem, não dormi, fiquei pensando se no lugar de uma faca fosse uma pistola? E recordando havia uma delegacia de polícia algumas quadras adiante na mesma avenida do embate, para ser mais exato 4 quarteirões, tudo acabou como teve que acabar, tudo dentro da brasilidade.

Rose e Flor

Rose e Flor são duas criaturinhas encantadoras e trelosas. Não tem como não apaixonar-se por ambas, parecem irmãs com cores idênticas, alegria de viver e uma dona que faz de tudo por elas, até compra a ração correta, pois elas não comem qualquer coisa não, veste-as com os modelitos da mais recente moda canina e não reclama das andanças para conseguir produtos para suas “filhas”.

É, definitivamente você diria que Rosa e Flor, são bem amadas. Entretanto nem sempre foi assim! Quando foi encontrada pela dona, Rosa estava com um tumor, passando fome, e com a orelha muito machucada, tanto que hoje não aceita carinhos nas orelhas por sequelas desses tempos, ela agora faz tratamento para pancreatite e malformações no baço.

A que mais comoveu-me, entretanto foi Flor, ela custou muito a aceitar minhas investidas e meus carinhos, em seu olhos ainda restava o receio, o medo de dias antigos, de maus tratos e falsas promessas. Com a ajuda e o incentivo de sua dona ela aceitou meus afagos, e entregou-se totalmente como fazem todos os nossos amigos caninos. A pequena tem uma história igualmente triste, de agressões e fome. Foi justamente adotada num momento em que era agredida a pontapés, sua nova benfeitora enfrentou seu algoz para dar-lhe uma nova vida.

RosaMuitas pessoas ficam espantadas e até indignadas com o carinho que certos donos desprendem aos seus bichos na forma de roupinhas, biscoitos especiais, caminhas e outros mimos; isto não deveria causar espanto pois é apenas um gesto de amor, de carinho, e se podem fazê-lo qual o problema? Deveriam indignarem-se pelos maus tratos, violência física, e até assassinato a que esses seres estão sujeitos vivendo nas ruas doentes, famintos e expostos a toda a sorte.

Nós somos os seres humanos, nós somos os responsáveis, somos nós quem destruímos as matas, nós matamos e extinguimos espécies inteiras, a culpa da degradação do planeta não é dos animais, já é hora de assumirmos nossa responsabilidade de espécie dominante e limpar a sujeira, e parar de descontar frustrações e fracassos nos seres indefesos.

PS.: Quem quiser conhecer mais, ou afagar Rosa e Flor é só dar um pulinho em qualquer tarde na praça do Derby, em Recife. Atentem para duas cachorrinhas cor de caramelo claro e sua simpática dona de cabelos brancos como a neve.

Teatro: Silência

Apresentação de Silência

Impossível sair incólume de uma apresentação do Grupo Totem de teatro.  O grupo faz história em Recife com suas performances envolventes e energéticas. Com uma pesquisa séria, e resgate da simbologia de antigos rituais da humanidade o grupo apresentou no último sábado Silência.

O tipo de performance ritualística apresentada contagia, entra em nossos poros e nos faz pensar, em nossa vida como um todo. Ao longo da apresentação diversas nuances da existência são desenroladas, num verdadeiro banquete de sentimentos. Humano devorando o  humano e envolvendo a platéia numa viagem por um mundo que a contemporaneidade tenta esquecer e suplantar: aos antigos rituais e nossa inevitável finitude.

A interação com o público é outra parte fantástica do espetáculo, num ritual que cresce e coloca em transe todos os espectadores, em cena temos mulheres e homem que lembram os antigos ritos das civilizações politeístas, contudo também podem significar a interação com o divino e esta busca infinita por integração que o homem necessita com o Eu Superior. Somo fundamentalmente seres ritualísticos, e mesmo inconscientemente retornamos a nossas raízes, e a inevitável condição de mortalidade nunca é abordada em nossas vidas, mesmo sendo a maior e única certeza presente para todos, e o que deveria unir-nos, visto que é inerente e iguala a todos os mortais.

Os elementos da natureza remetem o platéia a um tempo diferente, suscitando o pensamento reflexivo, voltado para o planeta e sua importância.  Ao longo do espetáculo cada um vai entrando naquele universo, e mesclando suas crenças ao que é apresentado, e tirando sua conclusões ou mergulhando em mais questionamentos, entretanto esta experiência marcante jamais será esquecida, afinal tudo são ciclos: nascer, crescer e morrer.  Destaque para Juliana Nardin e Tatiana Pedrosa, totalmente e corajosamente entregue ao seus ofícios em cenas marcantes da apresentação.

Como expectador, peculiarmente, não há como conter a emoção e o envolvimento na forma mais intima com a energia e a satisfação da qualidade do trabalho apresentado, todos os atores entregam-se totalmente sem medos ou receios. Assistir ao Totem é certeza de boas surpresas e como a função da arte é transformar nossa realidade não deixando que sucumbamos em um mundo que pode ser estéril quando esquecemos nossas origens, e a motivação que trouxe-nos até aqui, o performance integra-se a nossa realidade e contribui para aumento de nossa percepção.

Silência, faz parte de uma série de performances que serão realizadas ao longo deste ano na Torre Malakoff, no Recife Antigo, com entrada franca. Conheça mais sobre o trabalho do Grupo Totem de Teatro, clicando aqui.

Evolução já!

O meu animal favorito é o homem!

Favorito pela sua estupidez, que é tão grande que perde tempo com traições, ambição, luxúria, e tanta coisa ruim; invariavelmente esta energia é toda gasta em coisas sem sentido, tentando sempre alcançar um lugar ao sol que na verdade nunca chega, pois sempre haverá um outra meta e a insatisfação e angústia da sensação de estagnação associada ao desejo sempre fará este ser querer mais e mais, e para tanto usa o que estiver ao seu alcance para conseguir. Como instrumento para o crescimento todas as armas são pertinente, aí diga-se mentiras, dissimulações, segundas intenções permeando cada ato de demagogia…

É claro que existem as exceções, e por isto viram notícia de jornal, e causam comoção, os atos de bondade.  A caridade é difícil de se ver e quando é vista bate aquela sensação de satisfação, no fundo temos uma bússola que diz para onde devemos andar, porém essa nossa natureza competitiva, reptiliana nos impele a hostilizar o outro e lutar por um espaço que na verdade é virtual, inexiste. Sim, lutamos guerras e mais guerras, matamos, estupramos, incendiamos e escravizamos em nome de hegemonia patriótica e esquecemos que o planeta é um só, e o mesmo globo, se este se acabar não teremos mais para onde ir, já que não descobrimos meios de viver em Marte, o planeta mais próximo. A lógica deveria ser a de união, mas pela lógica política da torre de Babel continuamos a fechar-nos em nosso mundinho egoísta, em nossas crenças, e culturas, num hermetismo burro temos fobia a tudo que é contra nossas convicções, e o errado é sempre o outro.

Evoluímos a passos lentos com conquistas em muitas áreas, mas ao evoluir em determinado seguimento, em outros continuamos quase ainda no século XIX fazendo piada com a desgraça alheia e achando humor em situações deprimentes, um claro sinal de imbecilidade.

Os animais só matam para alimentarem-se, nós matamos por um relógio falsificado, um celular de um chip só, ou matamos quem não nós aceita por parceiro, assassinamos desafetos, e nós irritamos, invejamos e por aí vai. Somos vítimas de nossa sapiência que é nossa maior dádiva, porém também nossa ruína quando colocamos de lado a moral e deixamos a degradação tomar conta de nosso caráter. O ser humano é admirável por sua pluralidade e esforça-se para manter-se cada vez mais individual, e quanto mais tenta ser diferente mais semelhante fica com seus pares.

Somos fracos, corruptíveis, e egocêntricos, afinal até bem poucos séculos acreditávamos que a Terra era o centro do universo, e ainda teimamos em querer enfiar nossa fé goela abaixo dos outros, e foi em nome dela que existiram as cruzadas, a inquisição; ou a inexistência dela que gerou movimentos igualmente danosos como a revolução cultural chinesa, o nazismo e tantas atrocidades causadas por homens contra homens.

Estamos longe do estado de evolução onde a palavra humanidade possa realmente ser empregada no seu real sentido, um dia chegaremos a este estado de transformação, muito chão ainda teremos pela frente até o momento em que veremos todos dando as mãos e ajudando ao outro como irmão, livre de equivalência genética, numa verdadeira fraternidade de sentimentos e ética. Neste dia não estarei mais vivo com certeza, haverão outros que como eu admirarão a raça humana por motivos nobres e não lembrarão desses dias de trevas.

A força moral ainda resiste

A força moral é o último refúgio a nossa dignidade nesses dias de cólera e enganos. Apesar de ser a maior força da humanidade ela não é de ataque nem tampouco defesa, mas de constância, preservação.

Todos sabem quando estão cometendo atos imorais e prejudiciais a outros, na nossa sociedade do jeitinho o importante não é fazer, e sim não ser pego fazendo.

Recentemente ouvi algo fantástico sobre armas, e num desenho animado, a frase maravilhosa era: “Toda a arma tem um defeito: o seu dono!”. Pensei muito a respeito e a conclusão é que a única arma inexorável é a força moral!

A lisura diante de todas as situações e relações sociais. Ética é uma palavra que assusta muita gente e perde-se no meio de tantas bobagens a que somos expostos na mídia, nas palavras infladas de alguns manipuladores mascarados de líderes religiosos, falsos amigos, parentes inescrupulosos, e falsos iconoclastas que encontramos em nossas vidas.  Atacar nunca foi necessário para vencer e conseguir um lugar ao sol.

Voltando à perfeição bélica e comportamento exemplar seria a moral, pois com ela protegemo-nos de errar em nosso cotidiano e o mais importante vivendo honestamente esquivamo-nos de machucar nossos semelhantes.

As armas podem até ser perfeitas, entretanto como manipuladores sempre seremos fonte de imperfeições, presos a mesquinharias e ansiando a ruína alheia para comprazer-nos em nossa inveja crônica contra os que têm coragem de ir a luta.

Por falta de uma cultura moral perdemos preciosos tempo de vida brincando de juízes impunes a julgar tudo e todos.

Quantas famílias agora choram pela perda de um ente querido? Impunidade de uma sentença errada, falta de segurança, corrupção e inépcia de uma política que se perde em joguinhos de poder barato; falta aos nossos mantenedores e legisladores uma noção verdadeira sobre o poder da ética, sim, isto nos dará coragem para mudar leis arcaicas, romper com a antiga e péssima política do eu só te dou se você me der algo em troca, o respeito gera exemplos e seguidores, esse é o maior ensinamento de nossos ícones espirituais, todos mostraram com seus atos a santidade e recompensa de uma vida reformada intimamente.

Desrespeito generalizado e aniversário de Recife e Olinda

Como enxergamos nosso entorno? Como gastamos nosso tempo e aplicamos nossas ideias? O cinismo pode ser nossa bússula ou o comportamento limpo e direto pode ser a melhor conduta.

Alguns comportamentos são inadmissíveis para pessoas civilizadas apesar de aceitas socialmente, não há muito a fazer afinal de contas tantos são se os crimes maiores que ficam impunes, imagine os pequenos? Sim, digo sim, a falta de ética para com nossos iguais também constitui-se crimes.

São crimes a difamação, a falsidade, a mentira, a violência, o racismo, o preconceito e tantas outras coisas que os homens fazem aos outros homens, o que as vezes envergonha-me, sou homem também e como todos inclinado ao mal e ao instinto destrutivo.

No país onde tudo acaba em pizza e tudo é piada, a sociedade sofre nas mãos de fascínoras disfarçados de bons homens, mas é um sofrimento atado, o cidadão nada pode fazer a não ser aguentar algumas leis inúteis que são criadas para nunca serem seguidas ou ver seus direitos jogados pela janela quando outras leis sem sanção são impostas como tábua de salvação.

Ainda estamos anos-luz de distância da seriedade e da verdadeira honestidade ética necessária para com a vida. A política é necessária, contudo a boa política, a do benefício comum e não a dos lucros pessoais; o pior disto tudo é perder a fé em nossos políticos visto que temos grandes homens dispostos a mudar e combater a podridão. A preguiça mental é, sem dúvida, nosso pior pecado.

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Hoje é aniversário de Recife e Olinda, será que existe algo para comemorar? A música diz “acorda Olinda, Recife mandou te chamar”, nada mais adequado para o cenário onde quem sofre é a população sem saneamento, emprego, saúde, educação e segurança.

Moro em Recife e trabalho em Olinda, e quero ter o que comemorar, sorrir. Infelizmente ainda não tenho quando vejo a miséria que rodeia a população e o descaso crônico com o povo sofrido que teima em viver, teimando vão os ônibus abarrotados de trabalhadores que aceitam os aumentos abusivos das passagens (até para arrendondar o valor calculado do reajuste arredondaram para mais!), o péssimo tratamento nas urgências e emergências, e a falta de segurança e moradia obrigando famílias inteiras a viver em locais insalubres, ocupações e favelas; o sofrimento não para por aí pois o preconceito contra eles é ainda maior apesar da região metropolitana ser rodeada por favelas.

O povo grita silenciosamente por respeito, cada um que é assaltado em sua dignidade por aqueles que deveriam ser os protetores dos inocentes. Acredito que um dia poderemos chegar num outro patamar de lisura em nosso país.

Então neste aniversário dessas duas cidades ditas como irmãs que possam vir dias melhores e brilhantes. Acho que no fundo sou otimista ou um imbecil por assim querer acreditar. Quero poder dizer feliz aniversário para Recife e Olinda em dias melhores.

Antes os dias cinzas do que os marrons


Dias cinzas são ditos como tristes (consenso geral!), melancólicos e estagnados. Um prelúdio da tristeza profunda que enraíza nas almas e não permite que avancemos rumo a resolução deste estado de humor.

Ultimamente tenho vivido muitos dias assim, e é até reducionista de minha parte visto que há alguns anos tenho sentido este frozen moment long. Será eu, ou o mundo tem ficado mais escuro? Minha percepção sempre foi bem aguçada na observação dos comportamentos humanos tanto os mais sublimes, quanto os vulgares e destrutivos; esta fantástica capacidade inerente aos sapientes deste orbe constitui nosso maior e melhor dom! Pena que somos tão velozes em julgar os outros? Julgar e condenar, diga-se de passagem!!!

Sim, é incrível essa capacidade, capaz de chegar ao profundo do átomo ou cometer o mais vil genocídio, e novamente estou sendo muito reducionista.
Somos cheios de defeitos e por minha parte sou um ser infinitamente paradoxal, e consigo ir de um extremo a outro na velocidade da luz.
Antes os dias cinzas que os marrons, os cinzentos lembram as cinzas daqueles que passaram pelo fogo, estão mais forte; o marrom lembra o telúrico, o umbral, sofrimento é a terra desforrada de vida, desértica.
Enquanto os dias coloridos não chegam, fico com este relevo cinzento sonhando com as planícies e montes dourados.

Brevidade

Deveríamos ter constantemente em nossas mentes a noção pura da palavra brevidade.  Tal noção impediria-nos de cometer muitas burrices em nossas vidas.

Na Grécia Antiga, o tempo era temido e reverênciado pois a tudo consumia e devorava inclusive seus próprios rebentos os deuses do panteão olímpico. Fora necessário uma poção de Réia, sua esposa, para que Cronos regugitasse seus filhos engolidos.

Bem, atualmente o culto a deusa Réia não existe mais e a receita desta poção perdeu-se na obscuridade do próprio tempo; mesmo acorrentado no Tártaro o velho titã continua faminto a devorar tudo e todos.

No meio de tantos acontecimentos do cotidiano, escolhas e consequências dessas escolhas nos tomam as energias mais fundamentais. A cada segundo morremos mais, ou matamos e devoramos nossos sonhos e nossos semelhantes muitas vezes literalmente.

A palavra brevidade possui uma beleza mais que estética de construção e sonoridade, é um tapa na cara para acordarmos e valorizarmos mais aquele amigo que nos ama tanto, e gratuitamente, e que não reverênciamos como merece, bem como assumir o carma de relacionamentos que não acrescentam em nada à nossa existência.

Perceber que é hora de olhar um pouco mais para si e assim poder compreender o mundo ao redor, pois os parâmetros para interpretar o macro está no micro, através de nosso espelho íntimo julgamos a realidade circulante.

Que esta palavra, que não por acaso é o título do post, possa ser a nossa meditação diária de agora em diante, um bom mantra para modificar elétrons, as vibrações e campos aurais em nosso favor para cima e avante.

Esquecer do passado jamais, pois esqueceríamos os erros que são os ingredientes dos acertos futuros, mas simplesmente perdoar-nos no mais fundamental significado do perdão. Vivamos o agora, fazendo o máximo para sermos felizes, enquanto o tempo come-nos como fera faminta de vida, de alma, de sentimento.

Em uma modéstia análise Cronos não passa de uma arquétipo de nós mesmos sempre com fome e alimentando-nos de nós mesmos e de tudo ao nosso redor. Sejamos pois, a nossa própria Réia, tomemos as rédeas de nossa ampulheta de vida, afinal todos temos nossa poção especial e libertadora escondida, e ela chama-se vontade.

Ler é viver, crescer e transformar-se.

A importância de ler vai muito além de uma viagem econômica e rica pelos mais variados rincões do mundo, quicá do universo; nas profundezas da alma de um autor descobrimos as mais interessantes linhas sapientes que só agregam a nossa cultura e crescimento pessoal, lendo entramos em contado com ideias alheias como um leque de escolhas e enriquecemos a nós mesmos quando conflitamos novos conhecimentos com nossas antigas crenças exercendo assim o poder de transformação da realidade começando por nós. Ainda não inventaram nada que concorra com os livros, nenhuma mídia até hoje conseguiu ou conseguirá substituir o poder que um livro tem de penetrar nossa em nossa psique.

Dentro de um livro está a chave sagrada do conhecimento oculto que espera pacientemente para ser desvendado e posto em prática. As grandes modificações de nossa realidade tiveram origem em livros sagrados cultuados até hoje, e escritos há milênios, como então isto se dá? Que poder formidável possui um simples aglomerado de folhas e letras prensadas? A escrita é perpétua, o falado pode perder-se ao vento se não documentado em linhas que viajarão por todo o globo, a sabedoria está disponível em diversas prateleiras basta selecionar o que ler, e que tipo de iluminação interessa ao leitor.

Ler muda vidas em sentidos mais amplos, intimamente e particularmente falando, além de enriquecer o vocabulário; não é possível conhecer os caminhos da língua sem a leitura constante e prazerosa seja do que for, sim leia o quê quiser, contanto que leia e diariamente, nem que seja uma linha.

Nós contra o mundo?

O mundo é grande! Isto é chover no molhado e até redundante, entretanto o mundo é também fantástico, diverso, caótico e também triste em muitas partes. Pairando sobre todas as imundícies a beleza sobrepõe-se, contra o mundo, passiva.

Esta beleza sobrevive na arquitetura, nas belas-artes, no teatro e em todas as manifestações de misericórdia humana, o sentimento mais sublime, pois engloba amor+perdão=misericórdia!

Perdoar é um ato de amor, e amar é perdoar, e isto é um exercício diário de luta pessoal contra nossas próprias mesquinharias. Auto-ajuda é mais eficaz quando é direcionada ao próximo, ajudando o outro a melhoramos nossos sentimentos e fazemos uma eficiente higiene mental sobre a qual falei no texto anterior.

Retomando o princípio do texto, o mundo comporta todos os maravilhosos superlativos que  os mais encantados adoram soltar no melhor estilo paz e amor nem age. Se por vezes não vemos o belo no dia, no ordinário, ou nos falte esperança a raiz do problema pode ser a falta generalizada de moral, ou não termos olhos para querer ver a divina grandiosidade do nosso planeta-mãe, afinal como sempre digo é bom valorizar esse nosso vasto lar verde e azul, pois é o único que temos, se destruirmos ele onde iremos viver? Qual é o sentido do ódio e das lutas por terra se moramos todos no mesmo globo? Se algum sábio souber a resposta por favor envie-me por e-mail, urgente!!!

Um pouquinho sobre o pensamento, um pouquinho

O pensamento é a prova cabal do poder criador do homem. Herdamos esta capacidade de nosso Criador. Estamos imersos em seu pensamento mantenedor e toda a realidade é transformada e criada constantemente.
Platão ilustrou bem nossa condição no seu mundo das ideias que seria o verdadeiro mundo enquanto este aqui seria apenas sombra da verdadeira criação.
Num mundo de provas e expiação como o nosso temos o poder fabuloso de sermos os arquitetos de nossa própria vida, criamos e mantemos nossos êxitos ou nossas impotências e pensamento é matéria prima de nosso caminho. A vida é uma oportunidade de trabalhar na olaria mental e construir a realidade que nos cerca, assim não há mal que não se cure, tudo depende da atitude do ser humano como co-criador junto às inteligências supremas que atuam utilizando o hálito do Grande Senhor.
Lamentos, comiserações, preguiça ou revolta não cabem numa atitude de co-criaturas que somos, sabendo de tudo isto a expressão higiene mental ganha outra dimensão e sensibilidade, cuidado temos que ter com o padrão mental que alimentamos, com nossas leituras, os locais que frequentamos, e o tipo de transações fomentadas.
Se senhores somos e autores máximos de nossa própria vida e caminho, jardineiros da beira da estrada, em seu infinito amor Deus deu-nos o presente maior de poder escolher o quê plantar, como plantar e o mais intrigante isso tudo à vontade de nosso livre-arbítrio: o pai que permite ao filho ser quem quiser ser e se quiser…

Sonhos para serem vividos.

O sono toma uma grande parcela de nosso tempo de vida. É revigorante e serve de veículo para nossos sonhos, não quero falar propriamente do sono, e sim dos sonhos, este maravilhoso instrumento de renovação de nossas vidas.

Sempre falamos de nossos sonhos, em algumas conversas são projeções de nosso futuro, nossos anseios e medos; em outras feitas representem o estado durante nosso sono. Sonhar torna tudo mais leve, fomenta nossas esperanças e abre novas perspectivas acerca de muitos assuntos e ilusões, e isto também pode ser sinônimo de nossos sonhos, as ilusões, sonhar demais sem os pés devidamente fincados em terra firme pode nos levar à perdição no vácuo do espaço das boas intenções.

Sonhar é preciso, mais do que navegar, com certeza, porém mais do que sonhar é preciso se dedicar ao sonho com afinco, tentando realizá-lo, porém melhor do tentar concretizar este sonho é ter plena consciência da linha tênue que existe entre a persistência e a burrice. Um planejamento ajuda muito a realização de nossas metas, é claro que este planejamento não precisa ser altamente elaborado, cheio de planilhas e tabelas, mas faz-se necessário ter bem claro em nossa cabeça onde queremos chegar e o caminho que trilharemos para chegar lá com com o mínimo de percalços, que sem sombra de dúvidas aparecerão pelo meio do caminho.

Algumas perguntas imprescindíveis devem ser feitas e refeitas no decorrer da realização de nossos sonhos:

– Quais o recursos que tenho para a concretização de meus sonhos?

– Em quanto tempo pretendo realizá-lo?

– Quanto tempo de vida dedicarei a realizá-lo?

São perguntas simples e até ingênuas, talvez de tão ingênuas acabem sendo relegadas a segundo plano, ou até mesmo esquecidas por nós em nossa luta diária, não há dignidade nenhuma insistir num sonho falido que não levará a lugar nenhum apenas devido a emotividade que ele exerce sobre nós.

Sonhar é importante, nos impulsiona a viver, preenchem nossas horas ociosas, entretanto não se pode dormir a vida inteira, seja o sono físico ou da indolência.

Entender o carnaval.

Já tentei, e muito entender o carnaval. Vejo os foliões brincando alegres, felizes como se nenhum problema houvesse rua acima, rua abaixo.  Entra dia, sai dia de carnaval, de bloco em bloco, ou salões, ou trios elétricos, nas pipocas ou dentro dos cordões, com ou sem abadás, o carnaval não me desce pelas goelas.

Posso falar do social, da violência, aí alguém diz que os carnaval traz benefícios, mas sinceramente e não sou tão leigo assim, mas não vejo nenhum benefício além da perpetuação do famoso pão e circo de Roma antiga ou um festival da carne soft. Não, não sou moralista, nem tampouco um daqueles chatos de plantão que são sempre do contra, só não consigo entender como num país onde milhões vivem na miséria, onde o tráfico destrói incontáveis famílias, diversos desempregados vivem em condições desumanas, mulheres são mortas todos os dias por seus cônjuges, a educação desce ladeira abaixo, a moral se dissolve como açúcar num copo de garapa e …; por aí vai, posso fazer uma lista, então me digam o quê há para comemorar rua acima, rua abaixo?

Em Recife, onde vivo, o carnaval é uma instituição sagrada que perdura durante o ano inteiro, justamente aqui, um dos estados mais violentos do país, sem saneamento básico, transportes precários, educação quase inexistente, domínio do tráfico, entre outras coisinhas. É aqui onde tudo isto acontece respira-se carnaval, é frevo, maracatu, coco, ciranda, Olinda, bonecos, galo da madrugada, homem da meia noite, frevo de bloco, blocos líricos, troças e por aí vai e vai longe.

Deve ser a válvula de escape, um refúgio de tanta coisa ruim, enchentes, superlotação nos coletivos, engarrafamentos, descaso dos políticos, é o povo precisa ser feliz nem que seja por poucos dias no ano, e os nossos governantes aprenderam direitinho a lição com os imperadores romanos.

Nova casa

O blog Cartas ao Caramuru que mantive por algum tempo no blogger não será mais alimentado, as novas postagens continuarão neste novo endereço. O antigo blog Pretensa Visão também está desativado e todas as postagens agora serão publicadas neste novo endereço. Aproveito a mudança de endereço para unificar os dois blogs em um só. Espero que apreciem meus amigos

Agradeço a todos os amigos que acompanham meus textos, tentarei continuar a regularidade de meus posts aqui no wordpress.

 

Tempo do pó

Os dias são vazios, sem um mínimo sentido de direção ou conteúdo. As horas carecem de legenda e significado. Os minutos não passam de meros detalhes perdidos no barroco dos quadros que se sucedem.

O palco da vida roda exibindo as diversas escolhas  e o desenrolar das mesmas, suas consequências futuras.
A expressão “olhar o vazio” encontra sentido em meu olhar perdido  na escuridão numa concentração que não é perfeita apenas devido a  intervenção das carapanãs em coro ziquezagueante, talvez fossem pequenos gênios tentando soprar algo como a sabedoria universal ou o sentido da vida em meus ouvidos, porém hoje não aceito nenhum presente, ouço mas não escuto há muito tempo…
Os segundos são tão silenciosos quanto o som no vácuo, e tudo aqui é um grande e sem fim vácuo, o nada com suas mãos gigantes a me envolver e beijar, uma total ausência de sentimento, reconfortante, afinal se não há emoções não há culpa; resta pois o dolo de quem sofre, e quer fugir, esconder-se, ser feliz, mas não pode, é proibido.
Por vezes lembro a história de Fênix, é linda e deve ter sido criada por algum cruel iconoclasta, visto que nem sempre é possível renascer das cinzas. Muito pelo contrário, as vezes é mais seguro ficar escondidinho nas cinzas junto com os vermes e roendo os restos mortais de uma escolha ruim, neste caso a única opção restante seria sacudir a poeira e seguir em frente com as marcas do fogo, as cicatrizes e queimaduras vivas, e ser alguém melhor, aperfeiçoado e testado.
Algum tempo poderá passar, o cheiro da minha vida sendo derretida e remoldada poderá não doer mais, a crepitação na minha alma talvez cesse, a dor quem sabe desaparecerá, contudo ficará o silêncio, o inquisidor do futuro?
Só os deuses podem responder se algumas feridas serão cauterizadas, ou se repetirei antigos padrões, por hora vou dormir nesta cama de pó, coberto de carvões e brasas, estou aprendendo, estou mais sábio? Só restou o pó!

A mesa

A mesa era branca, não de um branco como a neve, era uma cor alva, porém envelhecida, descascada e suja dos respingos da terra que a chuva feria. Tinha uma gaveta ampla, e funcional frequentemente emperrada.
A mesa não era mesinha, nem mesona, era apenas charmosa e proporcional ,entre dois móveis inúteis estava ela imersa em toda sua humildade sedutora.
Um lindo exemplar da casa, vestida de uma toalha pobre de renda branca, pobre e triste como tudo ali, triste e lacrimejante como a goteira a revolver a terra onde a mesa ficava perdida em sua inutilidade.

A nação dos adoradores de coitadinhos.

Não há nação mais condescendente do que a brasileira. Sentimos um prazer inenarrável em condoermos-nos com o alheio, com o coitadinho,entretanto, este comportamento é por vezes um vício disfarçado, um exercício de auto-afirmação da superioridade sobre outros em momentos difíceis. Quantas situações  repetem-se onde ouvimos alguém vangloriar-se de ter ajudado este ou aquele necessitado como se almeja-se a beatificação ou pior cobrando pela mão estendida um eterno tributo. 
Para começar todo mundo conhece os provérbios “fazer o bem sem olhar a quem” e “oferecer com a mão direita escondendo a mão esquerda”, e completo com “a voz do povo é a voz de Deus”. 
Todos percebemos que por diversos fatores é terminantemente proibido ser bem sucedido, primeiro na questão da ostentação pois chama bandidos como moscas; em segundo lugar adoramos rotular a quase todos os seguros de si como arrogantes e pedantes, como se rótulos fossem mudar a situação; somos invejosos e cobradores, cobiçamos a magreza de um, o emprego de outro, mas coragem para arregaçar as mangas e correr atrás não temos, é mais cômodo medir a todos do batente de nossas janelas indolentes. 
Pregam-nos a humildade da escola à igreja, contudo o quê é humildade? Será que é abaixar a cabeça e aceitar a tudo com falsa resignação como acreditam alguns de digníssimos signatários? Ou seria aguentar o calvário de todos os dias enfrentando a violência, o descaso, e a miséria enquanto o carnaval e a copa não vêm? Ou humildade é vestir-se paupérrimamente, e pedir sempre desculpas por qualquer coisa moço?
Não, não gostamos de gente que se gosta, precisamos de relacionamentos problemáticos e emocionalmente vampirescos para nos sentirmos úteis e não há problema se não encontrarmos alguém assim, sem problemas fabricamos alguém assim, está aí o bullyng, o assédio moral, sexual e a coerção para mostrar que somos sim muito competentes em matéria de transformar, degradar e denegrir.
Vejam como usamos nossa inteligência de uma maneira radicalmente burra. Afinal já dizia o grande dramaturgo Nelson Rodrigues que sofremos de complexo de vira-latas, talvez se trocássemos pela mania de grandeza quem sabe um dia chegaríamos a algum lugar.

Flagelos inumanos

Nós não amamos, nós morremos.

Até mesmo quando sorrimos as lágrimas rolam em nossos íntimos como a sombra de um fantasma ruim. Vivemos vegetando como condilomas de uma vida miserável  e de preconceitos vãos.

A morte e a solidão são nossas perspectivas, esperamos gestar vírus que nos implantam a humanidade infestada de palavras vãs e olhares de ódio.
Não podemos nos recusar a nada e a ninguém, não temos esse direito visto que somos promíscuos, assim diz e atesta a sociedade, a mesma que nos violenta a cada segundo de exposição deprimente e julgamentos.  Não merecemos amor, não estamos aqui para viver, somo o flagelo da humanidade, os últimos da cadeia alimentar, plânctons apodrecidos, alimentos de tubarões da hipocrisia, falsos iconoclastas imorais, proselististas de vida mundana.
Porém não lamentamos, não temos tempo para tanto, morremos cedo, assassinados em grandes centros urbanos, definhamos corroídos por doenças da alma, subvivemos cheios de amargura num mundo onde não há espaço e nem futuro para o florescer. Ainda assim somos friendly, o arco-íris é nosso símbolo, mas a união de suas cores reflete o negro da vergonha de um planeta intolerante e sem respeito ao próximo.
Não, não somos seres humanos, somos endemoniados conforme a igreja equivocada, pervertidos segundo as convenções imorais, aberrações e condenados ao fogo e danação eterna; somos filhos dos dragões que engolem seus filhos e os vomitam em frangalhos zumbificados.
Sonia Braga no filme “O Beijo da Mulher Aranha”

Ser brasileiro quer dizer amar futebol, adorar o carnaval e fingir que tudo está sempre às mil maravilhas e desde que não seja na minha família tudo bem. Eu aceito, mas meu filho não…

Não morremos, já nascemos natimortos numa sociedade onde seremos piadas ambulantes na boca dos que mais nos desejam, não á alento, há apenas o sono, o doce adormecer do fim da linha, ou o beijo da mulher aranha, com Sonia Braga, lógico!
Não temos opção, pois se opção tivessémos sem sombra de dúvida não optaríamos por uma vida de sofrimentos e preconceitos, nossa condição afetiva não nos permite mudar as escolhas sexuais.
Viver muito, só se for adormecidos pelo véu da futilidade, ou o ópio destrutivo. Não adianta fugir, nem se esconder, aceitar jamais, viver só com as narinas de fora deste oceano de lama. Este é um dos problemas dos que teimam em enxergar, melhor seria arrancarmos os olhos e oferecê-los aos algozes, afinal todos gostam de coitadinhos.
Penso logo existo, e me inquieto e sofro, qualquer filosofia é libertadora, nos arranca de um mundo de sonhos e nos lança na vida, sem armas para lutar numa guerra perdida, não a guerra dos iguais, mas a guerra dos diferentes, dos que enxergam e dos que se impotam com o mundo, com a vida, com a evolução; um alento é que a natureza é implacável com os ignorantes e os saltos evolucionários até que se fazem necessários no momento atual.
Nós não vivemos, somos torturados pelas visões, indagações e dores. Nunca vivemos e talvez jamais viveremos juntos da maioria hegemônica, somos mártires diários, todos os dias morremos um pouquinho mais a cada injúria, a cada tapa, a cada estupro, a cada engodo.
Somos o quê não somos para o mundo, somos os diferentes, outsders, flagelos inumanos, esquecidos e chacotados.

O Sol

O Sol ilumina, brilha e aquece
O Sol queima, destrói e esteriliza
O Sol é lindo, implacável e sincero

O Sol é distante, profundo e grandioso
O Sol é Hiperion, Hélio e Apolo
O Sol é vida, morte e nascimento

O Sol seria eu, eu seria o Sol
O Sol é claro, escuro e explosivo
O Sol sou eu, eu sou o Sol
O Sol não é, o Sol o é.

E os dias desconexos…

Passam-se os dias arrastados, levando consigo as águas passadas e velhas de um antigo mundo moribundo. Antigas lembranças não movem mais a roda da vida, mas arranham minha alma, e embaçam a visão de dias melhores.
No sorriso cabem muitas cores, psicodélicas, mandalas e outras loucuras. O pensamento é como uma linha reta que entorta a todo segundo, a cada milímetro. O palhaço que faz rir é atormentado por seus fantasmas, não deve-se ter medo de fantasmas, eles não mordem, quando muito fazem rir, ou chorar.
Os dias continuam marrons, ocres e insípidos. Se a apatia é um sentimento, ela mantém a espécie humana nos eixos, e a melancolia?
Ah, esta irmã está sempre a martelar nossos ouvidos com deslizes de outrora e coisas que perdemos pela estrada. 
O mundo perde tempo procurando o amor e esquece-se de dar atenção à loucura, ela ronda nossas vidas como uma ciranda de leões, raposas, hienas e serpentes, todos de mãos dadas em cadência circulares.
Eu não sou mentiroso, obrigaram-me a omitir um 1/4 de minha existência e mentir 1/3. Para ser falsamente feliz tive que dar o pontapé original e romper com antigas mesquinharias, visto que para ser verdadeiramente feliz bastaria permanecer exatamente como estava, sem tirar, nem pôr. 
Passei um cheque em branco para a morte enquanto gritava: “…deixa-me sofrer em paz, não venha querer dar cabo do meu vale de lágrimas, nem vem com teu fungadinho na minha nuca, nem tampouco sussurre doçuras nos meus ouvidos para depois tornar-se a ceifeira maldita, vívida, branca e manchada de escarlate”.
E os dias estão mais curtos, o que era anteontem torna-se amanhã numa rapidez assombrosa, acho que vou tomar um cálice de suco de limões, os mais azedos para afinar a consciência e tirar os véus de meus olhos. Passamos a vida a refinar açucares, a temer viver a vida em sua plenitude, entretanto, recomeçar basta apenas um passo de cada vez, e os dias…

O infinito poder da gratidão

A gratidão é o sentimento maior, é a concretização do amor e da beleza. É a valorização máxima do valor de algo que nos é doado, emprestado ou oportunizado. Aqueles que são gratos pelo que a vida oferece herdarão o reino dos céus.
A palavra mais mágica do universo é o obrigado, seja ele como for, falado, insinuado, demonstrado, gesticulado. Agradecer é impulsionar o mundo para frente, e incentivar a gentileza dos nossos iguais acalorando os corações e mostrando a importância de cada gesto de doação. Poucos são os que conseguem servir incondicionalmente por vocação e devoção, esse poucos seres não necessitam de gratidão alheia pois fazem o que fazem por um propósito maior.
Jesus, que tanto serviu em vida sem esperar o retorno de suas ações exigindo apenas o fortalecimento da fé pessoal e íntima de cada um tocado por ele em sua infinita bondade. O mundo foi ingrato com ele e por   vezes no nosso cotidiano excluímos o Galileu de nossas refeições, de nosso trabalho e de nossos estudos. Esquecemos que ele é o espelho da verdadeira moral para nossas condutas; a simples pergunta: “O que Jesus faria”, em qualquer situação responde a todos os dilemas éticos que porventura se apresentem e nos expõe nosso verdadeiro caráter.
Devemos gratidão por um planeta tão lindo, por uma vida tão simples e frágil, entretanto complexa e difícil de ser vivida, e em suas agruras esconde as maiores delícias da conquista, da caridade, da realização e superação.
Tudo é aprendizagem, a cada minuto que passa novos caminhos se descortinam, novos rumos se desenrolam, e o que parecia insolúvel desmancha-se numa infinidade de soluções possíveis que de tão óbvias não eram vistas por nossos olhos imersos no opressor impasse.
Obrigado, obrigado, obrigado é o mantra universal que perpassa todas as religiões e filosofias. Ao darmos o primeiro passo a vida toda entra em movimento sempre para frente e avante, deixando para trás a lamacenta inércia, as situações se sucedem, novos caminhos florescem, e anjos mostram-nos o melhor a ser feito, basta ter ouvidos de quem quer ouvir e ouvir com a alma todas essas maravilhas acontecem.
Se temos Júpiter que com sua força gravitacional suga todos os corpos celestes errantes que poderiam nos destruir, se temos uma fornalha no interior da Terra, tal qual um sol inferior para manter nossa crosta viável, se temos um Sol maior que nos dá de comer, e a irmã água que nos sustenta e acolhe tudo que lançamos em seu seio, o quê mais poderíamos querer? Nada. Não é necessário um closet gigantesco, nem carros importados na garagem, só precisamos de uma coisa: gratidão.
Segundo Dante, em sua Divina Comédia, o último circulo do inferno é reservados aos ingratos e traidores, junto com o Satã. Na Grécia antiga, Zeus/Jove punia com severidade aqueles que não sabia agradecer pelas bençãos recebidas.
Por estas razões, na iminência da chegada deste novo ao, temos o dever de espalhar a gratidão a todos o que nos cercam, nos servem, nos amam, e até mesmo o que nos odeiam, sim, pois o que nos acham execráveis são os mais necessitados de nossa ajuda e atenção, se não for física, será em nossas preces mais contritas. O mundo pode ser um novo Jardim do Éden, o universo pode ser renovado, as ideias transmutadas em algo melhor, profundo e verdadeiro, onde a igualdade de gênero, raças, credos serão respeitadas.
Não sou platonista, nem idealista, nem otimista, não ouso vestir-me com rótulos, sou apenas um jovem grato, Acredito neste poder tão puro e realizador das mudanças do bem: o poder da gratidão. Muito obrigado, muito obrigado, muito obrigado a você leitor querido.

Lembranças naturais da infância

Lembro da minha infância livre e indolente, lembro com muita ternura de meu pé de biribá. Não há nada mais fenomenal no mundo do que deitar preguiçosamente num galho desta árvore, estender a mão e colher um fruto. Pode ser comido com as mãos, partindo-o, e saboreando toda a sua alva polpa suculenta que reveste as sementes de ébano. O biribá é um parente voluptuoso da atemóia e da pinha do nordeste, peculiar e abundante na região norte. Seus galhos são sempre compridos e regulares como se seguissem um padrão constante reto rumo ao céu. Suas folhas são de uma beleza indescritível, e o cheiro que exala de seus frutos só pode ter páreo nas frutas do Éden. 

Pois é, o biribá  fez parte de minha dieta por muitos anos de meu desenvolvimento, era o fruto mais natural e selvagem que já conheci, ninguém nunca se atreveu a incluí-lo na alquimia culinária, seria um sacrilégio de certo, pois a tradição reza que deve ser consumido in natura sempre, coisa de índio, trepado no pé, coisa de moleque pequeno que não conhecia fast food, e nunca havia comido um hamburger na vida.

Naquela época a tubaína era o must, e o pão manual estava sempre quentinho na mesa do café, com ovo frito no meio fumegando. São sabores que remetem à inocência pueril de um tempo onde não sonhava ser nada mais que um super herói dos quadrinhos que lia e ainda gosto, ou um personagem qualquer das mitologias antigas. Tempo de  trepar em qualquer pé de fruta e olhar a vida do alto de minha simplicidade descompromissada.

Havia também no quintal um enorme abacateiro estéril. Difícil de ser escalado, costumava passar horas no alto de sua copa vendo todo o horizonte do bairro, tal qual Odin do alto de seu trono; acreditava poder voar, mas nunca me atrevi a testar esta teoria, a não ser em sonho. 
O pé de cupuaçu também tomava muito do meu tempo apenas em estupefata admiração e espera por um fruto que nunca vinha, pelo cheiro viciante e característico desta fruta nortista.
O açaí é um caso a parte, é uma paixão daquelas desenfreadas e destrutivas caloricamente falando. Ele vai bem com tudo, aveia, farinha d’água, achocolatado, com peixe frito e o que mais a imaginação e o apetite permitir.
Com tantos atores ilustres minha infância foi muito gostosa, não ligava para o sofrimento, só ouvia falar dele distantemente, minha obrigação era apenas animar tudo a minha volta para poder brincar, isto os objetos mais inusitados, de pedra à tampinhas de caneta, e por aí vai, quem nunca fingiu que as tampinhas eram soldados? Num quintal tão pleno de possibilidades, um universo sincero de vida pulsante, animada ou inanimada, e meu abacateiro estéril, meu melhor amigo…

Instantâneo de dor

Triste é reduzir a vida a um único momento de dor. Para cada momento ruim exitem milhares de situações alegres e revigorantes. Construir uma concha ao redor de si não é o melhor caminho para lidar com os problemas, pois ao abrir a concha os problemas continuarão pacientemente à nossa espera.
Encarar de peito aberto e cabeça erguida é o melhor caminho para uma vida equilibrada, com dores e alívios. Todos temos uma balancinha interior, as vezes ela está avariada, ou mal tarada, mas está lá para ser acessada em qualquer momento de dúvida ou de análise profunda de nossas identidades interiores, e de nossas vergonhas que escondemos de todos até de nós mesmos. 
O quê somos invariavelmente nos assusta e aterroriza, ao passo que também pode nos surpreender a força vindo aparentemente de lugar nenhum que brota quando necessário em situações extremadas.
Não se pode congelar num dado momento de dor, e guardar no inconsciente este negativo de fracasso ou de dor, estes acontecimentos devem ser trabalhados com análise honesta de nós mesmos, temos que romper o medo de virar o espelho para nossa alma e nós enxergarmos como somos, não há desmérito em tirar a máscara ou virar a página do álbum, quem sabe a próxima foto possa ser nossa salvação?

Um pouco sobre a paciência

Paciência é a palavra fundamental do viver, ser paciente implica ter a sabedoria e resiliência para lidar com o efêmero presente, esta névoa tão rala que dissipa-se em qualquer raio de sol. A temporalidade do destino é como o desenrolar de um longo filme individual, porém curto se colocado em perspectiva coletiva.
Nada dura para sempre, uma máxima que só se aprende com o passar dos anos e o acúmulo das experiências: erros e acertos.
Planejar, avaliar e agir, estamos constantemente traçando planos, lançando metas, algumas ingênuas e impossíveis de serem alcançadas; também estamos em constante avaliação das etapas já percorridas, dos objetivos que não nos servem mais na vida, e por fim agimos, e agimos permeando todas as etapas, o agir também está no planejamento e avaliação. Tudo exige um tempo, demanda esforço para ser concretizado e uma parcela de energia para colher os frutos do trabalho.
A qualidade do nosso tempo é essencial para o exercício do bem viver, isto em todas as formas, relações e situações. Quando não temos tempo na verdade nos falta coragem para organizar o tempo que dispomos, das duas uma: ou nos lançamos no ócio (criativo ou não) ou nos embaralhamos no cronômetro cotidiano sem sair do lugar e sem produzirmos nada verdadeiramente substancial.
Aprendi e tenho aprendido muito nos últimos anos sobre paciência, aprendi que o tempo que quero, não é necessariamente e nunca será o tempo que preciso. Tudo demanda preparação, construção; uma casa deve ser construída sobre fortes alicerces para que nenhuma tormenta possa derrubá-la. Aceitar com critério é outra grande lição, atente que citei a palavra critério e não acomodação. Quando assim nos comportamos entendemos que devemos nos dar por satisfeitos naquele momento, pois mesmo parecendo acomodados, estamos construindo interiormente ligações e soluções para os dilemas que se apresentam.
Meu humilde objetivo não era, e nem será emitir uma bula sobre o tema, mas compartilhar um pouco de minhas ideias e vivências. Aprender a esperar, e não esperar para viver, ou deixar as oportunidades passarem, isto não é ser proativo, e este comportamento é necessário para a satisfação em nossa existência tão conturbada e cheia de anseios.

A perseguir o amor

Amor para mim relaciona-se com espontaneidade. Não é inteligível a mania doentia que muita gente tem de perseguir este sentimento como se caça um animal.
A condição da paixão é tão natural quanto qualquer outro sentimento, e exige tempo e circunstâncias adequadas para acontecer, florescer e morrer. Forçar um acontecimento nunca foi e nunca será a forma correta de tratar com a questão, nem tampouco fomenta saúde emocional.
Pessoas maduras ou conscientes de si não vivem em função do acontecimento amor, quando isto é um objetivo de vida e por algum motivo ou falta dele não acontece as pessoas entram em estados depressivos por estarem só, ou por serem mal amadas.
A equação vida e humanidade é reduzida por um sentimento alheio de afeto. Há uma forte conjunção de egoísmo e carência numa linha de pensamento como esta.

Partindo desta ideia vemos pulular os sites de relacionamentos, agências de encontros, disques amizades e encontros às escuras que muitas vezes terminam em desastres.
Acredito que a amizade é a base de tudo em qualquer situação, o tempo também parece ter-se transformado em fator agravante, uma grande parcela da sociedade administra suas relações como se fossem morrer no próximo dia, e isto é um absurdo sem tamanho. E sujeitam-se a situações vexatórias, e até mesmo de violência nas mão de um parceiro que não merece a devoção ofertada.

Enfim, posso parecer frio nesta questão, mas não posso permitir-me perder o pragmatismo nesta área onde a praticidade e a objetividade evitam muitos problemas.

O dever cumprido

O título do post pode até parecer piegas quando evocado em meio a nossas futilidades e conversas informais, entretanto só quem sente pode advocar sobre esta causa com propriedade.
O dever pode assustar às vezes, mas é algo que deve ser feito, uma etapa e dela podem depender diversos atores. A nossa importância no mundo expressa-se por nossa postura diante de nossas obrigações, e como lidamos com elas.
O melhor caminho a ser seguido é sempre o caminho correto, o caminho ético, nesta situação jamais haverão prejudicados, e todos se sentirão realizados em todos os sentidos.
Deitar a cabeça no travesseiro é sempre mais gostoso depois de um dia moral. Pode até soar estranho “dia moral”, sim, este dia seria o dia perfeito, sem corrupções, nem pendências maléficas. Falarei mais aprofundadamente sobre dia moral em outra ocasião.
Por hora digamos que estou satisfeito e posso deitar minha cabeça serenamente em meu travesseiro e dormir o sono dos justos.

A violência do faroeste impera em Recife

No filmes de faroeste antigo as contendas eram resolvidas na lei da bala e dos duelos. A autoridade era mais decorativa do que funcional.
Neste final de semana um episódio deprimente de violência aconteceu com dois amigos homoafetivos. Ambos estavam namorando em uma praça erma do Bairro do Recife, ou Recife Antigo para os íntimos recifenses, quando dois meliantes um com um pedaço de pau, botaram abordaram meus amigos com palavrões e ameaças de pancadas, graças a Deus os dois conseguiram fugir correndo do local e não foram perseguidos pelos marginais.
Será coincidência ou imitação de comportamento? Casos semelhantes acontecem rotineiramente na Avenida Paulista, o preconceito em Pernambuco é arraigado e faz parte do subconsciente de toda a sociedade, é engraçado chacotar gays; matar travestis parece coisa corriqueira. Precisamos de ações urgentes para conscientizar e criminalizar esta prática. Se fosse um casal de heteroafetivos não teriam que sair correndo de qualquer local por estarem apenas beijando-se.
Não há para onde correr, a sensação de insegurança está presente em todo o lugar, em nossos lares, na rua, a competência para resolver  esta situação esta nas mãos do estado e da sociedade. A educação começa em casa, uma criança só reproduz o que apreendeu de seu meio, as leis precisam ser duras e levadas a sério, para tanto um aparato para isto se faz necessário.
Os ladrões de bancos, assassinos e arruaceiros eram exibidos nos cartazes de “Procura-se”, atualmente não existem mais esses cartazes, os bandidos deixaram de ter rosto, e a sociedade transformou-se em gado para abate esperando com medo dentro de seus currais domiciliares.

Falta gentileza

O discurso é sempre o mesmo, falta gentileza, sobra grosseria. A sociedade da bajulação não tolera aqueles que possuem identidade forte, delimitada, que sabem o que querem da vida e não ficam esperando cair do céu o maná, nem tampouco usam a língua para lamberem o chão onde outros pisam.
Quem sabe de si, sabe onde quer chegar. Acredita na transitoriedade das coisas, da vida e inclusive das relações, sejam fraternais, sentimentais, de trabalho. Não estão em constante estado de orgulho, de maneira alguma. Para tanto faz-se necessário saber o seu valor e influência nas esferas por onde transita. Engraçado, saber o seu valor é uma frase até ingênua se não estudada a fundo. A personalidade nem sempre é garantia de sucesso, e não deve ser mesmo, visto que o verdadeiro marco zero está fundamentado e deve ser sempre reconhecido no caráter base fundamental e concreta que direciona nossos comportamentos éticos e transações sociais que nós solicita atenção diária.  Somos igualmente oprimidos, sufocados, sublimados e surpreendido neste ciclo básico de exposição pública.
Uma visão peculiar do assunto sempre remete-me a falta de gentileza do mundo moderno que cada vez mais cobra, persegue e impõe padrões de personalidade, modos de vestuário, comportamentos, até mesmo nos pensamentos individuais as condutas são influenciadas, contudo são por serem influenciáveis, passíveis de persuasão e subjugação. Querer viver não é requisito para fazê-lo, diversos fatores influenciam nos nossos desejos, conquistas e fracassos em nossa existência.
Ser cortês não nos custa absolutamente nada a não ser nossa vontade. Quebrar velhos hábitos é simples, porém a persistência deve ser o foco, com tato e firmeza pura. Para manter-se firme no intento proposto, na ânsia de mudar, transformar a realidade que nos cerca e semear um pouco mais de humanidade no sentido mais essencial dessa palavra, pois quanto mais o tempo passa, mais descobrimos que para ser humano não basta nascer homem, ou mulher…

Ao meu amigo Caramuru

Recife, 20 de Novembro de 2011

Prezado Caramuru,

Saudades abissais rei do meu peito esquerdo. Desculpe por este perído de ausência, fiquei um tempo recolhido ao meu casulo intelectual, remoendo algumas larvas imaginárias, precisava voltar meu umbigo  para o interior de minhas entranhas, como um terceiro olho gástrico, com um olhar clínico e ácido contra meus produtos.
Foi um tempo feio e bonito, com muitas palavras belas porém estéreis.
Dentro deste mundinho metal de conforto a libertação veio como uma lufada de ar. Toda a carniça que acumulei e misturei à minha saliva para contruir a base dos alicerces deste meu palácio triste, esta prisão suntuosa e marrom, foi secando, ruindo até cair por completo, revelando um luz bruxuleante do além.
Estava internado voluntáriamente em um ninho filosófico do tempo onde nada poderia atingir-me, uma casa do Pai Cronos, entretando toda a reclusão produz bons frutos, amplia horizontes e faz crescer novas ideias, asas que disseminam verdades e questionam os equivocos, afinal o que seria da veracidade sem a mentira? Morreria de tédio de certo.

Sem mais, até breve caro amigo, do seu sempre escravo, Leoh.

P.S.: infelizmente não pude enviar junto a esta aquele doce de cupuaçu, na próxima se meus instintos permitirem a existência de tal iguaria certamente estará em suas mãos a travessa que agora jaz vazia…

Somos deuses na Terra

Somos deuses sim! Se somos filhos de Deus, somos deuses, com “d” minúsculo. E como deuses temos muitas responsabilidades para conosco, e para com a natureza que nos rodeia e é nosso templo maior, o templo da vida. Como todos sendo deuses, temos o dever maior de respeitar as outras divindades ao nosso redor, aqueles que nos fazem sorrir, chorar, e calar. Cada lar é um panteão de grandes seres de luz, e devemos acreditar que todos somos capazes de atingir as mais altas alturas da caridade, porém também sabemos que os seres humanos podem descer às mais abissais profundezas da imoralidade.
O potencial para o sublime continua ali mesmo na lama, todos possuem a semente do Pai, a água do amor rega essa diminuta semente, podendo fazer germinar uma árvore linda de franternidade e solidariedade.
Somos deuses, e somos eternos, porquê um dia precisamos nascer, diferente do Criador que é infinito, pois não teve começo, nem tampouco terá fim, dito isto para além de qualquer discussão filosófica que tal frase possa ensejar. Somos deuses, somos árvores de diferentes frutos e somos humanos, ídolos de pés de barro por enquanto…

A ética nossa de cada dia

A figura ao lado é famosa. Vista em muitos  trabalhos que contemplam a ética como seu  tema principal. É emblemática do que se quer dizer da mesma, sim, ao longo dos  tempos os filósofos de diferentes culturas e épocas ocuparam-se do estudo da moral e os determinantes na vida da sociedade.
O ser ético tende a ser perfeito, preocupa-se com o bem e o mal; fazer o certo é crucial para as relações sociais.
Será que é simples dizer que a ética é o estudo da moral? E depois? O quê vem a ser a moral? E o moralismo? Por vezes tão nocivo.
Moral vem de costumes, os nossos, individuais, e dos que nos cercam em sociedade. Há convenções sobre o quê seria a moral ao longo da história, ela muda, transforma-se e é moldada pelos seres humanos. Acredito que alguns valores são imutáveis, inexoráveis para determinados grupos, raças, nações. Para viver sob o manto da ética é preciso fazer a coisa certa sim, escolher o bem comum, não apenas ganhos próprios, como disse Kant:


“Age de tal modo que possas usar ahumanidade, tanto em tua pessoa como na pessoa de qualquer outro, sempre comoum fim ao mesmo tempo e nunca apenas como um meio”

subir na vida pisando em degraus humanos não proporciona-nos fundamentos ao nosso caráter, pelo 
contrário, a deteriorização é mais nociva quando a queda vir, e ela certamente virá.
Viver por si só é um desafio, viver dentro das virtudes éticas é imprescindível, erramos sempre até mesmo quando achamos que não erramos; tentar é preciso, quantas vezes forem necessárias, somente assim mereceremos estar classificados como seres humanos.

O amor como forma de endeusamento do parceiro

Este é um tema antigo, vez, ou outra trazida à tona por algum sexólogo ou estudioso.a história sempre repete-se: após alguns encontros, umas juras de amor eterno, o parceiro torna-se incorruptível e incapaz de infectar-nos com qualquer vírus, bactérias ou afins. Nem sempre sabemos se somos portadores desta ou daquela enfermidade, algumas ficam incubadas por anos, e neste período distribuímos infecções às nossas relações. Amar não é sinônimo de entrega total neste sentido, e confiar não quer dizer sexo sem proteção como muitos acreditam, e defendem este comportamento.
Ok! Dito isto, entendido, interiorizado, como fazer o ser amando entender também, se porventura o mesmo não estiver no mesmo grau evolutivo que você? Como quebrar uma cadeia de comportamento sexual inadequado, baixa auto-estima e degradação moral? Como? Acredito que um dos grandes passos é o autoconhecimento, e aprender a dizer não seja a quem for para manter nossa integridade. O parceiro não é, não se torna,  e nunca será um deus com o tempo ou com a intensificação dos nossos laços; muito pelo contrário, com o tempo mergulhamos nos defeitos, e facetas mais obscuras do parceiros e etc…
Amar é proteger, a si, e ao outro. É a concretização do benefício da dúvida como condição e não opção. Não sei se estou totalmente isento de ser um organismo não infectivo, logo, não posso expor quem amo a qualquer perigo biológico.
Fácil, nunca é, e jamais será! Contudo, partindo de uma ética libertadora onde não se deve fazer ao outro o que não gostaria que fosse feito a si mesmo. Retornaremos a este tema no futuro com certeza…

Filho do Guaporé

Chora filho bastardo do Guaporé
Lamente as águas cuspidas da roda da vida
Lembra que um dia você sorriu e curtiu
Amanhã não terá dentes, só miolos suculentos de isopor
Atravessastes o barranco para não mais retornar
Há um barco queimado no leito daquele igarapé
Sol, escondeu-se e a Matinta Pereira não quer mais cantar
A vida que foi, ainda pode voltar, a flecha retorna
Vem limpar tua casinha dos matos e lixos
Um dos quatro cachorros um gato virou
Queria ter tempo de me coçar, tempo de me amar
Pelas ruas do Vale passeiam nús as galinhas d’Angola
Papoulas, lantejoulas, ceroulas, e tijolos frescos
Seca tuas lágrimas menino, queime os retratos
O passado belisca, cutuca, provoca, afaga
Hoje tenho cílios, molhados, em olhos inchados.


Postagem antiga do Pretensa Visão

O Jardim de Ananke
Uma jornada nasce da necessidade do espírito. Ananke desdobra o desejo dos homens e lança novos caminhos. Todos podemos escolher o que fazer de nossas vidas, como proceder. Vamos escolher então o caminho mais florido? Entre as flores espinhos para marcar os momentos de beleza profunda, e muitos insetos para temperar de emoção um jardim perfumado. Somos involuntariamente jardineiros de nossas obras, ceifeiros de nossos erros. Em nossas mãos está o regador das boas obras. Melhor que colher as rosas é vê-las florescer em liberdade junto às borboletas que retornam.
Publicado originalmente no meu antigo Blog Pretensa Visão (na época http://www.leoh.arteblog.com.br), em 28 de abril de 2010

Entusiasmado ou enfezado?

A vidaé difícil. Disto ninguém duvida ou contesta, as nuances sempre mudam e o queera bom de uma hora pra outra se transforma e perdemos o chão. Contudo sempretemos duas escolhas em nossos caminhos: um, podemos esbravejar a cada objetoquebrado, a cada briga desnecessária, afinal perdemos um tempo precioso fazendoquestão por coisas que na próxima semana não farão diferença alguma em nossasvidas; dois, por outro lado, podemos contar até 10, respirar fundo e perceberque o impulso arrefeceu e que podemos deixar para outra hora uma discussãoinsignificante, ou aquilo pelo que valia tanto a pena lutar não brilhava com aintensidade que achávamos, e podemos abrir mão para outra pessoa merecedora.

Nossaexistência é uma miríade de possibilidades que se descortinam a nossa frente acada instante, e somos obrigados a fazer escolhas a cada situação, a cadaquestão, desde o que comer no café da manhã, ao emprego de nossa vida! O quefazer então? Como encarar tanto peso, tantas alegrias, dores, surpresas, etc?Vale a pena se fechar diante de uma decepção amorosa, por exemplo? Ou a crençano otimismo pode mudar nosso caminho e abrir todas as portas?

Existemduas palavras que não são antagonistas, mas que nos dizem algo sobre nossocomportamento, e postura para com o mundo; palavras essas que denominam umestado de humor ou espírito como queira, são elas, entusiasmado e enfezado;podemos ser um ou outro, nunca ambas simultaneamente. E até aí, nos nossoshumores podemos escolher o que queremos transparecer ou esconder. E há tambémseus significados, se ninguém conhece enfezado, refere-se a fezes e quer dizercheio das mesmas; ao passo que entusiasmado, vem a ser nome para aquele queestá cheio de Deus, e escrevo isto sem aspas para manter a força que isto temem nossa mente, nas nossas ações e em tudo que permeia nosso cotidiano. Sim,podemos escolher como queremos estar, e fazemos isto quando cedemos as nossasanimosidades, ou quando damos lugar a nossa ética e fazemos simplesmente o queé certo, garantindo nossa tranqüilidade ao deitar a cabeça no travesseiro ànoite.

E aí,o que você quer ser? Cheio de merda, ou cheio de Deus? Afinal já dizia o poetadas brenhas: Enfezado ou entusiasmado? Eis a questão!

Escolhacom sabedoria, sempre haverá dois caminhos, o sim e o não, por onde seguir. Nãohá mal tão grande que não possa ser pelo menos contornado pelo bom senso, analise,conselhos e atitudes proativas; assim como não há bem que perdure, aproveitemosos momentos felizes, de paz ao lado daqueles que amamos, ou na contemplação deuma beleza seja ela qual for. A vida humana é infinitamente efêmera, semreticências, afinal nem sempre o amanhã chega. E uma má escolha pode nos levarao purgatório pelo resto de nossa existência, entretanto uma boa escolha podemudar nossa vida para melhor, e por conseqüência também pode mudar a vida dosoutros ao redor.

Mensagens indesejadas

Alguém aguenta mensagens de otimismo enviadas aos nossos e-mails todo santo dia como se alguém tivesse tempo para ler coisas tão óbvias?  Pior são as correntes de mensagens enviadas em massa para um zilhão de pessoas, sinto-me agredido por este tipo de mensagem.  E há as ameaças, tipo envie para 15 pessoas e terá uma surpresa até a próxima manhã, se não enviar algo terrível acontecerá!!! Hum, eu não reenvio mais, e minha vida continua até hoje, no mesmo passo. 

Mas o ponto é que resolvi testar algumas vezes e sabe o que aconteceu? Nada! Absolutamente nada!  Minha vida ainda é uma marcha insensata para o fim!  Ainda continuo encontrando pelo caminho pessoas preconceituosas, iludidas pelos 7 véus das ilusões, arrogantes e presunçosas!  Ainda me sinto cansado, pois, nada aconteceu na manhã seguinte.  Acreditei que a fome no mundo acabaria, acreditei que a religião e as coisas que realmente interessam não se misturariam mais, acreditei que finalmente a paz reinaria no Oriente Médio e na minha vizinhança; acreditei que encontraria o amor contrariando meus pensamentos niilistas.

Em suma, pergunto com que direito me enviam essas mensagens mentirosas? Com que direito enchem minha caixa de mensagens quando um simples oi? Como você está? Seria de melhor tamanho e mais sincero para mim. 
Essas pessoas não são amigas, não querem nosso bem, não se sentem obrigadas nem a introduzir um comentário inicial sobre o motivo de enviar um texto desses. Essas pessoas definitivamente não farão falta em nossas vidas. E só para deixar uma dica de etiqueta online: cole os contatos em ocultos para não divulgar os endereços de outros sem permissão ao enviar este tipo de mensagens, pois acredito que se controlar é impossível nesse ato doentio de reenviar mensagens inúteis e anônimas.

Saúde emocional

Como definir saúde emocional em nossos dias conturbados onde somos sujeitos diariamente a constantes cobranças, sucessões de prazos apertados, talões a pagar, e sonhos difíceis de concretizarmos? A sensação é que estamos sempre correndo atrás de alguma coisa como quem quer sanar o prejuízo ou querendo fazer voltar o tempo perdido. Nisto não entra em nossa agenda uma avaliação mais aprofundada da vida, atos e escolhas. E este balanço faz-se necessário poder penetrar nos profundos mistérios encerrados em nossa própria alma.

Encontro tanta gente com uma enorme capacidade analítica do alheio, contudo desconhece seus próprios limites morais e emocionais, tanto que com frequência perdem o controle de si. São situações vexatórias como esta que demonstram o quanto estamos longe da temperança, ou de alcançarmos a tão almejada paz emocional; ou mesmo simplesmente delimitar as fronteiras de nossos limites pessoais.

Não quero aqui, de maneira alguma, escrever um tratado de saúde emocional, na verdade encaro este texto apenas como um grosseiro pingo de alerta, tanto para mim, quanto para você caro leitor. Será que temos o autoconhecimento necessário e pelo menos semiestruturado para lidarmos com todas as nuances do mar de contradições de onde emergem e onde sufocamos nossas emoções?

Aprender a dizer não

Cotidianamente somos obrigados a desenvolver em nossas vidas a chamada inteligência emocional, isto não quer dizer que é uma tarefa fácil muito pelo contrário é assaz difícil. Geralmente vai de encontro aos nossos desejos e incapacidade de analise em um futuro próximo. Temo visto campanhas de uso de preservativos e seus benefícios contra doenças sexualmente transmissíveis e gravidez indesejada. Contudo o planejamento familiar nunca foi tão precário no país e a propagação de DST/AIDS nunca esteve tão alta.
Como profissional de saúde tenho plena consciência dos métodos contraceptivos e de proteção sexual, porém como dizer a uma paciente que ela deve usar preservativo com o marido sendo que o mesmo encara o uso desses métodos como sinal de infidelidade por parte da esposa. Em outro caso o rapaz pede à moça que transe com ele sem preservativo como uma prova de amor e confiança. Como dizer para esta adolescente que ela não precisa se submeter a isto quando a carência e ignorância fazem-se presente.
São situações extremamente repetitivas e denotam uma situação mais que evidente de falta de inteligência emocional, ainda não aprendemos a dizer não. É como se a negativa fosse ferir o outro. As oportunidades inúmeras, algumas valem a pena outras não, neste turbilhão de escolhas somos os deuses de nossa vontade e responsáveis por nosso destino, tanto na saúde corporal quanto na mental que é a mais devastadora. Quantas vezes ouvimos a batida frase “Mas ele era tão bom…”. Não, ele não era tão bom, o que aconteceu é que não damos o tempo necessário para que tudo aconteça naturalmente e se acomode nas nossas vidas, temos essa angústia imediatista de uma sociedade onde tudo é para ontem e a velocidade é sinônimo de competência. Neste frenesi a qualidade de nossas relações fica pelo caminho e nos sujeitamos a pessoas ruins e situações depreciadoras.

Aprender a dizer não é imprescindível para a vida em sociedade, para o autorrespeito e o respeito para com os outros. O sim pode ser diplomático, contudo usá-lo como mantra é extremamente nocivo a nossa integridade e não é honesto para quem nos rodeia. Quem está interessado espera, esta é uma máxima em todos os relacionamentos, nunca podemos esquecer que neste caso é mão dupla, a unilateralidade não pode existeir em relações emocionais. O segredo para tudo é temperança, saber dosar nossos desejos e ações com o momento atual sem nunca esquecer que Saturno, o tempo, sempre cobra todos os nossos atos e dívidas.

Eterno jogo de cintura

Desde muito pequeno tive que desenvolver meu radar, minha intuição e esperteza para não entrar em muitas situações perigosas, ou cair na lábia de gente má. O mundo está pipocando de pessoas inescrupulosas cuja o hobby é fazer os outros sofrerem. Partindo daí vem amigos falsos e invejosos, familiares preconceituosos e violentos, colegas sem caráter puxando nosso tapete, racismo velado e por aí vai…

Ao longo de nossa estrada nos encontramos com alguns anjos em carne que nos mostra que a vida pode ser muito mais, e agradeço a Giordana Belo por muitos exemplos de perseverança frente as dificuldades da vida e a maldade do ser humano. Em contrapartida também sou da mesma espécie daqueles que tanto mal já me fizeram, e com certeza já magoei algumas pessoas pelo caminho, é inevitável, mesmo vigiando. Já pedi perdão muitas vezes, e já me emocionei muito com um pedido de perdão que recebi recentemente, e agradeço a você Emílio pelo gesto tão inesperado, você me deu um grande presente, restituiu minha fé na bondade…
Então assim é a vida, vamos correndo por vielas tentando não esbarrar nas pessoas, sorrindo quando as vezes queremos chorar, e nos despedindo daqueles que mais amamos. Assim é viver, dando um volta ali, pulando outro obstáculo aqui, calando e engolindo a raiva, e estendendo a mão para ajudar. Sempre digo que a vida é muito simples, tanto que faz rir; o difícil é viver, tanto que faz chorar.

As piores pessoas do mundo

Ontem foi o dia do show de horrores. Não vou dizer hora, lugar e nem tampouco nomes. Porém, fui obrigado a presenciar um diálogo terrível onde a ética foi totalmente escrachada, pisada, jogada fora num torpedo de imoralidade. Tentei rebelar-me, mas nada adiantou, fui deixado de lado como voto vencido e criatura sem senso, talvez não tenha mesmo o senso comum.
O dito título deste post foi lançado languidamente por alguém querido, nomeando uma categoria inteira de pessoas socialmente desfavorecidas. E não há nenhuma hipocrisia, apenas uma pergunta: quem são as “melhores pessoas do mundo”? Estou a escrever estas linhas absorto pois talvez eu seja muito burro, visto que até agora não cheguei na resposta. Todos somos iguais na vida, nem melhores, nem piores e devemos respeitar a todos igualmente. Escrevo agora antes de dormir e da forma crua como foi concebida pois isto feriu-me profundamente, temo viver em sociedade com esses donos da verdade, pois eu não sou a melhor pessoa do mundo…


PS.: Não consigo resistir, e acho que devo aprofundar, ou explicar mais um pouco meu texto acima. A frase “as piores pessoas do mundo” foi usada infelizmente por uma amiga dando rótulo às pessoas que ela ajudava como voluntária num projeto social religioso. Deixo claro aqui que não julgo minha amiga, e nem vou renegá-la apesar de suas palavras equivocadas, contudo serviu para um mergulho em meus pensamentos mais sombrios quanto a humanidade. Somos naturalmente hipócritas, principalmente a sociedade brasileira, como disse um grande geógrafo social, por estas paragens não é feio ser preconceituoso nem racista, mas sim assumir que é! Estive pensando muito desde a primeira vez que postei este texto, tanto que resolvi voltar à ele, e acrescetar mais estas linhas. Na verdade gostaria de deixar uma pergunta: Quem são as melhores pessoas do mundo? Quem souber a resposta por favor guarde a sete chaves, pois isto possui mais valor que o Santo Graaal.

Senhor

Senhor, tu me conheces como ninguém jamais conhecerá! Quando eu era apenas uma semente tu já sabias toda a minha trajetória. Conheces os meus defeitos, que são infindáveis, sabes de todos os meus medos, e como sou medroso. Bem sabes como nunca amei de verdade, e sabes como me sinto seco por dentro como se fosse incapaz de fazê-lo.
Senhor, tanta coisa já foi verdade para mim, e hoje não  passam de idiotices de um grande idiota que sou. Contudo meu viver é de teu conhecimento e como dói em mim viver; sim, só tu sabes o quanto viver é cansativo para mim, a sucessão dos dias são uma tortura, os olhares de meus irmãos, as reprovações, os insultos, os desamores.
Ah, Senhor, os desamores, acho que nunca me apaixonarei, não há lugar para o meu amor neste planeta. Toda a paisagem que vejo tem um pico de preconceito, uma floresta de ódio, mesmo por traz de rios de palavras polidas e pradarias diplomáticas.
Todos os dias eu acordo com a mesma alegria inexplicável, eu não entendo e nem quero entender; eu nunca fui mal, mas as coisas que vejo acontecerem arrancam um pedacinho de mim a cada hora, a cada segundo. Eu nasci assim, com essa maldita sensibilidade que me tira o chão e me lança num abismo de dores que não doem, dores da alma. Por ter nascido como nasci sou obrigado a viver como vivo, mas jamais perguntarei: Senhor, porquê?