Um sonho verde

Então veio a cegonha, carregando inúmeras sementes em seu bico, sobrevoou  por entre a copa das árvores, decorando o horizonte com sua alva cor, era um tal de voa pra lá, voa pra cá, algumas sementes deixadas pelo meio do caminho durante seus desastrados rasantes, e assim surgiu a sementinha marrom, frágil, queixosa e geniosa, ao seu lado outro desventurado, sim pois cair aos pés de uma árvore gigante, e que iria bloquear a maior parte do sol, já era por si só uma sentença de morte. Um destino mal fadado, que a geniosa assombrada não assumiria, e assim se deu, todos os dias dos dias solares ela reclamou, esfolhou-se, ameaçou não dar fruta nunca, chorou e por fim deu-se vencida em sua imobilidade protestante.

Naquele verão a pequenina muda havia perdido toda a sua inocência em uma terra ingrata, dura e seca, a água era difícil de ser ser sorvida, até mesmo sentida; de quando em vez o Irmão-vento ia visitá-la para levar um ventoso alento, mais desaventurado que a pequena rebelde, era seu irmãozinho igualmente raquítico na sombra daquela grande, e egoísta rainha verde.

Os dias arrastavam-se secamente, destruindo tudo em todas as terras daquele lugar, a falta de luz, e de nutriente levará seu irmão de implicância. A raiva, a dor, e a fome, tornaram-se o combustível para sua sobrevivência, desistir aquela altura do campeonato não era opção, e assim deu-se, com seus pequenos galhos contorcendo-se a procura dos ínfimos raios solares que conseguiam chegar ao chão até ela, até pensava em quais frutas daria, que sabor teria, e mergulhada nestes doces sonhos do futuro o mundo torna-se mais negro, mais mergulhado nas trevas, e em alguns segundo a imobilidade de uma vida desaparece  e tudo começa a girar, girar, enquanto seu caulinho gira pelo ar nas mãos de uma criaturinha risonha, e indolente, ao longe uma voz algo severa, parecendo uma advertência, não pôde compreender direito o que dizia aquela voz ao longe, o mundo parou de girar, e sentiu-se no solo, não da forma de antes, suas raízes não sentiam mais a dureza aconchegante da terra, e ali permaneceu deitada, definhando, perdendo os restos de seiva que tanta luta custou para acumular, e dentro de alguns dias tudo acabou, levando consigo os sonhos se ser uma alta mangueira, senhora de doces frutos suculentos.

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