Há justiça no mundo?

Não tenho muita certeza se ainda há justiça no mundo, sim, este mundo em que estamos vivendo, caminhando para o fim, são tantos dissabores, tanta coisa errada, gente pagando pelo erro que outros cometem – eu por exemplo, entretanto não quero falar de mim, sou um na multidão. Quantos casos chegam às notícias de pessoas condenadas injustamente, que precisam recorrer de decisões, ou mesmo que passam anos na cadeia pagando por crimes dos outros?, ou que nem sequer existiam?, há um consenso no ar de que o todo o nosso sistema judiciário está em colapso, que o judiciário está abarrotado de processos, que a justiça é lenta, coisa que não acredito, a justiça têm o tempo necessário para se avaliar um processo, com todos os detalhes para que não aconteçam justamente: injustiças!

Vivemos num país onde tudo deve ser pensado antes de sair de nossas bocas, visto que pode ser um boomerang que vai e volta, e volta com gosto de gás, turbinado para cobrar seus juros. Porém, há outra falta de justiça, a da vida, a da existência, aquela dos muitos com tantas riquezas, e outros com tão pouco, paupérrimos. Qual é o propósito disto?, de um mundo onde uma parcela de seres humanos devem viver submisso à um grupo de poderosos, algum propósito há; alguém em algum lugar esta colhendo os louros da ignorância de uma nação indolente. Em muitos casos a impressão que temos é que tudo estagna-se, não há evolução, tudo permanece como sempre foi, inerte. Assim a vida passa, levando nossos tesouros, primeiro nossos sonhos se vão, quando chocam-se com esta barreira de realidade, daquele chefe intransigente, de pais que não sabem estimular seus filhos, enfim, em algum momento acordamos, e não temos mais direito de sonhar, por ser algo lúdico demais, não temos tempo, há o cheque para pagar, as compras, a escola da crianças. Assim, esvai-se o que temos de mais precioso que são os tempos de nossa juventude, em pleno vigor da saúde, neste período não nos é concedido relaxar, temos que trabalhar, construir uma carreira, comer mal, começar o projeto de destruição de nossa saúde que vai aos poucos cedendo à gordura visceral, ao diabetes, ao estresse, depressão, ansiedades, e etc…; lá pelo meio de nossa jornada Saturno, velho em seu retorno irá cobrar-nos ainda mais o motivo de não termos sucesso, ou aquela promoção, ou simplesmente, sentimos o peso de não sermos felizes, de não termos conseguido alcançar ainda o status a que nos propusermos conquistar quando iniciamos carreira, assim mergulhamos na crise de meia idade.

Quando chega a “melhor idade”,  sim, coloco em irônico contexto visto que, não existe isto de melhor idade, e ainda é politicamente incorreto falar velho, é o velho recurso brasileiro de mudar o nome das coisas sem corrigir a raiz do problema, o mesmo aconteceu com a lepra que passou a ser chamada de hanseníase, porém o preconceito continua. Em nossa jornada doamos os melhores anos de nossa vida por uma sociedade que não dá a mínima para nosso trabalho, compartilhamos nossa vida com amigos que muitas vezes não estão interessados, ou sofremos, lutamos, morremos por ideais que se perderão no espaço de boas ideias que constroem os muros do inferno. Quando enfim podemos desfrutar de nossa obra, do pouco que o sistema nos permite acumular já não temos mais vitalidade, estamos mastigados pelas decepções, cansaço de anos de doação, fadados a um esquecimento total após nossa morte. Assim é a vida, revestida de mentiras, de muitas pessoas falsas que não valem o que o gato enterra, que são arrogantes e prepotentes, mas que não admitem isto nos outros, como bem disse a querida Rosana Hermann em um artigo fantástico em seu blog, quem quiser conferir pode clicar aqui, é delicioso o texto.

O mundo cobra cruelmente a obrigação de ter o sucesso, de ser reconhecido, visto, e amado; a vida na realidade é totalmente diferente, a falácia das boas vibrações pode até levar-nos à depressão, como se perseguíssemos um pensamento obsessivamente: “Tenho que ser feliz, tenho que ter pensamento positivo sempre!”, claro que é uma besteira! Somos senhores de nós mesmos, escolhemos o caminho que queremos seguir, se não deu certo paciência, tentemos de novo, e de novo, até conseguir, ou cair de novo para levantar quantas vezes forem necessárias; hoje estou particularmente cansado, pensativo, um pouco desesperançado da vida, das pessoas, estão acontecendo coisas que fogem ao meu controle, e não tenho nada a fazer contra as mesmas, pois é uma maré profunda, forte, que nada posso fazer como formiguinha que sou, e esta situação vem mostrar o que já estou desconfiando, que não há justiça no mundo, não neste mundo.

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