O manto

Quando ele deu-lhe a notícia fatídica a tarde mudou; a ventania tomou conta do ar com tanta violência que quase arrebatava as árvores num bailado macabro.

Em seus olhos, a expressão de horror que vai da incredulidade ao desespero em fração de segundos. A vida não era mais a mesma, o canto dos pássaros deram lugar ao revoar assustado de animais cegos pela dor, um a um, caiam do céu para a morte certa nos pátios do palácio.

O arco-íris, outrora lindo, e símbolo da potência mística, partiu-se em milhões de pedacinhos de cristais em seu ponto mais alto de seu arco, e a luz da estrela púrpura não era mais a luz brilhante e pulsante de antes daquelas palavras.

A sua frente estava o homem a quem jurou amar para todo o sempre, e proteger com afinco. Era seu esposo, seu amigo, e amante; era seu prometido de longas eras, e confirmado pelos doze anciãos. Suas bodas foram as mais lindas e festejadas de todo o reino, e seu casamento o mais perfeito.

A rainha das rainhas, a senhora da Torre Púrpura estava ali reduzida a nada, e seu destino seria o pior de todos os filhos do carmesim.

Seus olhos enxergavam além daquela cena, além daquelas palavras tão executoras, suas carnes tremiam ao ver nas mãos do amado algo pior que a própria morte: o manto dos peregrinos.

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