EMAJPE e eu

A memória é nosso maior legado, e respeitar este legado é o mínimo que se pode fazer. Aprendi muito com a vida, e durante algum tempo fui aluno da Escola Municipal de Artes João Pernambuco, um verdadeiro santuário das artes em geral que agora está ameaçado. Alunos, funcionários e a sociedade em geral devem unir forças para não permitir que um celeiro de talentos como é a EMAJPE seja extinto.

Não estamos falando de mais um conservatório, mas sim da única escola municipal de artes do nordeste! Oferece gratuitamente cursos nas áreas de música, danças, teatro, e outras oficinas expressivas, além de promover periodicamente um festival tradicional de mostras artísticas dos próprios alunos. Além dos cursos os alunos têm merenda em todos os turnos, e biblioteca.

Agora eis que nesta atual administração pública os funcionários estão sendo convocados ao setor de lotação da prefeitura para serem realocados em outros lugares, e o futuro da instituição é incerto. Trocando em miúdos querem fechar a escola, o absurdo está justamente em querer encerrar as atividades de local que só bem trouxe à sociedade, com professores qualificados, comprometidos com o que ensinam, e alunos ávidos por expressarem-se através das artes, que creio ser o dom máximo da humanidade e reflexo da alma.

Uma gestão de respeito não fecha escola, ela reforma, e a EMAJPE precisa de investimento, de uma reforma completa, reestruturação do teatro e apoio. Toda a comunidade da Escola de Artes João Pernambuco sempre fez muito com pouquíssimos recursos, sempre formou artista engajados, sensíveis e cidadãos comprometidos.

Posso apenas falar sobre minha experiência de vida, e o período em que fui aluno da escola sempre fui muito bem tratado, aprendi valores, e a amar o teatro, por motivos de trabalho não pude continuar com meus estudos, mas sempre alimentei em meu íntimo o sonho de voltar a ser aluno, o sonho de reencontrar as minha queridas professoras que tanto amor e dedicação tiveram por mim, e sou grato. Hoje estou muito longe de Recife e não poderei participar da manifestação em prol da escola, mas em coração estarei com todos os meus amigos que não aceitam mais este mal feito da administração municipal, a EMAJPE é uma escola, e como tal deve permanecer sob os cuidados da Secretaria Municipal de Educação de Recife, entretanto não é só estar vinculado, mas ser cuidada, avaliada, reestruturada e mantida. Temos que mudar esta mentalidade pequena, e dar valor as tradições, ao que é bom.

Dentro das possibilidades avultadas, cogita-se que a mesma possa ser mantida por algum departamento da UFPE, entretanto acredito que se assim for representaria uma desvirtuação, pois não seria mais a EMAJPE, sabe-se lá que nome teria; o foco não é este, mas sim a tomada da responsabilidade por quem de direito, este jogo de toma que o filho é teu não é coisa de pessoas sérias, quiçá de governo que é de onde deve vir uma conduta ilibada.

Sou muito grato por tudo o que esta casa representa para mim, e espero um dia poder voltar a ser um aluno, e espero que ela ainda esteja lá, linda e humilde esperando-me de braços abertos como sempre.

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9 comentários sobre “EMAJPE e eu

  1. Sobre a Escola João Pernambuco….Claro que não vão fechar, pois isso iria repercutir muito mal para o atual prefeito. É tudo mascarado. Agora a escola vai refletir apenas números, já que irá mudar de secretaria. Nunca vi uma escola que é obrigação da secretaria de educação mudar-se para outra secretaria que não tem o compromisso com a educação em si e muito menos propostas concretas.
    E os professores ¿ serão apenas fantoches nessa secretaria¿ nem o respeito para com estes terá, já que ignoram que são concursados e habilitados na secretaria de educação.
    Secretarias mudam a cada gestão, e isso já é uma amostragem do que realmente vem por ai. Alunos não serão alunos, serão apenas estatísticas de quanto serão lançados no mercado de trabalho, só para fazer aquele “teatro” no qual os políticos tanto adoram. Como educadora, é uma pena ver como estar se desencadeando a educação, em geral, no estado de Pernambuco.
    Toda a luta que se vem sendo feita na educação, e principalmente no ensino de artes, na busca de melhoras, perde espaço para os interesses políticos atuais que buscam um retorno imediatista. No Centro de música da rua da Aurora é a mesma coisa. Está ocorrendo um retrocesso de ideias na nova gestão, visando apenas um ensino, repito mais uma vez, de números e não de qualidade. É lastimável.

    Aurea A.

    • Aurea, eu não entendo a razão disto tudo, uma instituição como a EMAJPE que só faz o bem não merecia uma manobra nojenta como esta. Merecia sim reconhecimento, investimentos em todos os sentidos. Isso sinceramente dá uma falta de coragem de continuar acreditando no sistema.

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