Vamos refletir um pouco Enfermagem?

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Resolvi escrever um pouco sobre minhas impressões acerca de minha recente profissão, visto que frequentemente ouço de colegas o quanto estão insatisfeitos profissionalmente. Lógico que a seara da saúde, assim como a da educação, são áreas geralmente negligenciadas tanto pelo poder público, quanto pelo setor privado.

A dificuldade do estado em forncecer o básico da sáude, e a comercialização horrorosa por parte dos hospitais privados (que em muitos casos assemelham-se a hotéis de luxo) relega ao paciente, ora usuário, ora cliente (evidenciando uma relação de consumo), um martírio desnecessário aos que sofrem buscando conforto, auxílio e respeito.

No meio disto tudo está a Enfermagem, aquela prefissão que fica constantemente ao lado do paciente, que é responsável por todos os cuidados prescritos, e a segurança do mesmo. Somos a grande mão de obra da saúde, temos competência, disposição, contudo não somos valorizados, não recebemos salários condizentes, para não usar termo pior. Somados os outros departamentos da vida pessoal está montada uma boma-relógio! Sim, pois muitas vezes o salário não cobre todas as despesas, as horas trabalhadas via de regra são excessivas, as condições de trabalho são quase inexistentes em alguns rincões do Brasil, e para coroar o quadro não é raro estarmos presos a relações de trabalho entremeadas de antigos preconceitos arraigados na cultura da população.

Somos obrigado a lidar com conflitos intermináveis, dentro e fora da classe dos cuidadores. O tão popular “puxar o tapete”, “a trairagem comendo no centro”. Contudo qual é a razão? Porque temos que repetir padrões de comportamento inadequados? Não podemos ser cordiais com os colegas? Acaso todos não possuem seu lugar ao Sol? Entendo que é até complicado para quem não é da área entender o que estou dizendo. Os mais sensíveis, os que trazem dentro de si a vontade de fazer algo pelo mundo deparam-se no primeiro emprego com o famoso “É assim mesmo!” ou “Aqui a gente faz é assim!”, como consequência sentem-se como se estivessem atados, aqueles que são olhados torto pelos colegas por serem do contra, ou por outro lado podem acovardarem-se por medo de perder o emprego gerando indivíduos que temem se posicionar, impor suas necessidades e anseios.

Caros colegas, pensando bem, não precisamos ir muito longe, façam uma enquete com seus amigos  enfermeiros, veja se estão satisfeitos com o oferecido pela profissão; acredito que a resposta não será tão reveladora. Está aí para quem quiser ver, viver, basta ter olhos e crítica. A maior categoria da área da saúde não consegue ter uma bancada no governo! Como assim? Será que não seria melhor pegar o tempo gasto com mesquinharias e arregaçar as mangas para mudar? “Ah, seria bom se alguém fizesse alguma coisa!”. Oi? Esse alguém somos nós, você, eu, juntos por uma saúde melhor, uma classe mais unida e realizada. Se somos cuidadores, e artistas neste ofício, porque cargas d’águas não começamos a cuidar de nossos irmãos enfermeiros e enfermeiras, técnicos e de nível superior (sim, pois essa história de chefe é ridícula, quem têm chefe é índio)? Precisamos de um conceito amplo de equipe novo, que resignifique toda nossa realidade. O cuidado deve ser sincero, pois amanhã estaremos doentes também, exauridos pelo serviço em demasia, estresse elevado e remuneração pífia.

Estou praticamente recém-formado e o que mais escuto de colegas meu redor forma um coro de reclamações. A maioria conta histórias tenebrosas, e totalmente desnecessárias. Para continuar, levantar e ir trabalhar precisamos reunir forças de nossas convicções e sonhos para continuar. Temos que olhar o paciente, aquele que tanto precisa, e vem ao nosso encontro ansiando nosso acolhimento, nosso cuidado com compromisso acima de nossas dificuldades de classe e insatisfações trabalhistas. Não devemos perder a motivação, não temos que aceitar tudo isto que está aí posto. Vamos mobilizar o nosso interior primeiro. revendo nossos princípios e o que levou-nos a escolher a Enfermagem. Devemos erguer a cabeça, sacudir as más impressões e cuidar com arte, que é a verdadeira essência de nossa profissão.

 

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