Vanuza e E. Ou: memórias de uma paixão azeda

Ele era rio, sua alma abrigava águas profundas, de correntezas e irremediavelmente turvas.

Ele era um homem; homem bonito, altivo e mesmo assim comum, porém de um comum arrebatador, desde que parece inteligível apenas quando estamos apaixonados, se for possível ter clareza racional estando apaixonado.

Ele, ele, ele. Um moreno de olhar perfeito para uma morena baixinha como eu. Esse amor bandido, longe dos olhos da família eramos Bonnie & Clyde soft, entretanto não tão soft que não tenha deixado suas marcas nas minha vida, como uma escuridão densa, palpável e angustiante. Com ele foram-se as pétalas de minha inocência tardia…

Era sensual, não nego, totalmente exalante de sensualidade que engolfava a mim tornando-me também sensual. Durante um tempo sonhei ser Psiquê, e ele meu Eros, porém realmente eramos Yn/Yang, ambos com energias tão distintas e antagônicas que só poderiam resultar em uma repelência entre nós mais cedo ou mais tarde. Foi um estranho caso de antagonismo e tesão irrefreável. O famoso morde assopra encontrava sua definição claríssima em nossa maneira de conduzir a sinfonia de nosso “relacionamento”, assim mesmo com quantas aspas o leitor(a) quiser dispor…!

Era a miséria, o egoísmo, e o ressentimento os filhos desse enlace. Cada gota de porra, cada orgasmo foi pago com suores de sangue. Nada de bom sobrou desta época estéril de minha vida, e já tive minha cota de tragédias suficientes para uma jovem inteligente que sou – entretanto talvez não tão esperta ou velhaca para perceber certas sanguessugas humanas.

Ele era lindo, bem servido – se é que me entende, másculo e muito bom de cama, do tipo que vira a gente do avesso, joga na parede e faz chover estrelas – de cabeça pra baixo!!! Uiiiii!!! Ele também era um completo canalha, e egocêntrico, o tipo que precisaria de umas quatro vidas para começar a mudar. Era tudo isto, e foi o amor escondido que consumia muito do meu ser. É, ele, tudo era ele, o resumo da existência tinha seu nome como título; um vampiro, safado… e todos os adjetivos que outros recalcados, com dores de cotovelo ou madalenas arrependidas que querem apagar o passado, usam para definir seus “falecidos”.

Em resumo, nunca interessou-me olhos verdes, cabelos loiros lisos e pele com sardas. Ao meu gosto apetece mais a morenice deliciosa, e ele foi tudo isto, e foi sem morto estar, pois a essa altura do meu caminho esse fantasma já está bem exorcizado e enterrado com diversas pás de cal; contudo não sem antes me lascar um pouquinho, é mulher que nunca emburreceu por um macho bruto não possui realmente uma história saborosa para contar.

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